Eventual derrota de Otoni para Frente Evangélica pode fazer Paes repensar estratégia com religiosos para 2026

A Frente Evangélica da Câmara elege hoje seu novo presidente

* Felipe Amorim

A Frente Evangélica da Câmara elege o seu novo presidente hoje. Acontece que sem acordo entre as correntes da Frente, a eleição colocará Otoni de Paula, do Rio, contra Gilberto Nascimento, de São Paulo, e Greyce Elias, de Minas Gerais. Nos bastidores, é dado como certo que Nascimento e Otoni vão polarizar a disputa, por se tratar de um nome mais próximo aos governistas e outro mais próximo da oposição. Uma eventual derrota de Otoni, entretanto, pode ter impacto direto sobre a política do Rio e o jogo político de 2026.

Curiosamente, os dois são ligados à Assembleia de Deus de Madureira, ministério importante no apoio a Eduardo Paes nas eleições do ano passado, quando Otoni foi figura fundamental para articular o nome do prefeito junto às igrejas evangélicas. Mas, agora, há em Brasília a sensação de que o bolsonarismo – que constitui a maior parte da frente – pode se unir para derrotar a empreitada de Otoni, que se mostra como nome forte próximo aos setores evangélicos e Lula. Uma eventual derrota seria simbólica neste momento em que o governista ganha uma voz ativa no plenário da Câmara.

Neste caso, Paes pode ter que reavaliar as formas de se articular aos grupos evangélicos visando 2026, quando precisará entrar em templos de várias igrejas. O eventual baque do bolsonarismo aos planos de Otoni controlar a frente também viria no justo momento em que o governo Lula amarga recordes de impopularidade, o que também pode fazer com que Paes reveja seus planos estratégicos.

Depois de ter apoiado Eduardo Paes nas últimas eleições municipais, em detrimento a Alexandre Ramagem, Otoni passou a ser alvo de críticas dos bolsonaristas e é justamente por isto que parte da bancada evangélica diz que pretende se juntar para mostrar que a frente segue sendo um “feudo da oposição”.

Otoni diz não acreditar na polarização e afirma que entrou na disputa para ganhar.

“O mais difícil, nesse momento, é convencer deputados a votarem. Alguns tentam me atrelar ao governo, mas eu apenas trafego bem entre as correntes e os deputados entendem isso. Não podemos fazer da frente um pouxadinho de nenhuma corrente”, afirma.

Tradicionalmente, a Frente Parlamentar Evangélica escolhe seus líderes por consenso. Neste ano, entretanto, não houve acordo e a disputa será voto a voto.

* Da equipe do Blog do Ricardo Bruno em Brasília

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