EUA suspendem sanções ao petróleo russo pela primeira vez desde ataque à Ucrânia

Licença temporária permite venda de petróleo da Rússia já em trânsito enquanto alta global da commodity pressiona mercados após tensões no Oriente Médio

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (12) uma licença temporária que permite a comercialização de petróleo bruto e derivados da Rússia transportados em navios até o dia 11 de abril. A autorização foi divulgada pelo Departamento do Tesouro e representa a primeira flexibilização das sanções impostas ao setor energético russo desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.

A decisão ocorre em meio à forte volatilidade do mercado internacional de petróleo, pressionado pelos recentes ataques a instalações energéticas no Oriente Médio. A medida busca reduzir tensões nos preços da commodity e evitar novos impactos na oferta global.

De acordo com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, a autorização é limitada e não deve gerar ganhos relevantes ao governo russo. Segundo ele, a licença vale apenas para cargas que já estavam em trânsito antes da decisão.

Primeira flexibilização desde a guerra na Ucrânia

As sanções contra o petróleo russo começaram logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Naquele momento, empresas americanas foram proibidas de importar o produto, embora o volume comprado pelos EUA fosse relativamente pequeno.

O impacto mais significativo ocorreu no final daquele ano, quando a União Europeia restringiu a importação de petróleo russo, que representava cerca de 20% do consumo do bloco.

Posteriormente, outras medidas foram adotadas para pressionar Moscou, incluindo limites ao preço do barril vendido para outros mercados e sanções direcionadas às maiores companhias petrolíferas russas.

Sanções ampliadas afetaram exportações russas

Em outubro do ano passado, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou a pressão econômica ao determinar sanções contra negociações envolvendo as duas maiores petroleiras da Rússia: a estatal Rosneft e a empresa privada Lukoil.

A decisão provocou impacto direto nas exportações do país, que recuaram nos meses seguintes. O temor de sanções secundárias também afetou empresas de transporte marítimo e compradores internacionais.

Entre os países mais afetados estava a Índia, um dos principais destinos do petróleo russo desde o início da guerra, atrás apenas da China.

Alta global do petróleo pressiona decisão

A licença temporária anunciada por Washington ocorre um dia após o Departamento de Energia dos EUA divulgar a liberação de 172 milhões de barris da reserva estratégica do país, em uma tentativa de conter a escalada dos preços.

Mesmo com essa iniciativa, o mercado segue pressionado. Nesta quinta-feira (12), o barril do petróleo Brent — referência internacional — encerrou o dia cotado a US$ 101,75, com alta de 10,6%, ultrapassando novamente a marca dos US$ 100 pela primeira vez desde 2022.

Durante a semana, a commodity chegou a atingir US$ 119,46, refletindo o temor de interrupções na oferta global em meio à escalada militar no Golfo Pérsico.

Risco de bloqueio no estreito de Hormuz preocupa mercado

Apesar da liberação recorde de 400 milhões de barris das reservas da Agência Internacional de Energia (AIE), o fluxo de navios petroleiros continua sendo afetado pelo cenário de insegurança.

Diversas embarcações têm evitado atravessar o estreito de Hormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que a Marinha americana não tem capacidade imediata para escoltar navios na região, mas indicou que essa possibilidade pode ser considerada até o fim do mês. Ainda assim, ele avaliou como improvável que os preços globais do petróleo alcancem a marca de US$ 200 por barril, mesmo com a continuidade dos ataques iranianos a embarcações comerciais.

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