EUA e Irã retomam negociações indiretas sob ameaça de nova crise nuclear

Conversas tentam conter avanço do programa atômico iraniano; Trump ameaça ação militar se não houver acordo

Representantes dos Estados Unidos e do Irã iniciaram neste sábado (12), em Omã, as primeiras negociações indiretas durante o governo de Donald Trump. O objetivo é discutir os avanços do programa nuclear iraniano e tentar evitar uma nova escalada na já instável região do Oriente Médio. A rodada de conversas ocorre sob forte tensão, após Trump ameaçar lançar uma ação militar caso não haja entendimento.

As delegações estão separadas em salas diferentes e trocam mensagens por meio do chanceler de Omã, Badr al-Busaidi. Do lado iraniano, a comitiva é liderada por Abbas Araqchi, vice-ministro das Relações Exteriores. Já os estadunidenses são representados por Steve Witkoff, enviado especial de Trump para o Oriente Médio.

“Conversas indiretas entre o Irã e os Estados Unidos, com a mediação do ministro das Relações Exteriores de Omã, começaram”, informou o porta-voz iraniano Esmail Baghaei nas redes sociais.

Em declarações à imprensa estatal, Araqchi se mostrou cauteloso: “Há uma chance de entendimento inicial sobre futuras negociações se a outra parte (EUA) entrar nas negociações com uma posição igual”, disse. Para ele, ainda é cedo para prever a duração das conversas. “Esta é a primeira reunião, e nela muitas questões fundamentais e iniciais serão esclarecidas”, acrescentou.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, deu a Araqchi “autoridade total” para conduzir os diálogos, segundo fontes iranianas. No entanto, Teerã mantém a posição de não negociar seu programa de mísseis balísticos nem outras capacidades de defesa.

O histórico de desconfiança entre os dois países pesa sobre o diálogo. Em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump abandonou o acordo nuclear de 2015 e restabeleceu sanções severas à República Islâmica. Desde então, o Irã elevou o enriquecimento de urânio a 60%, muito próximo do nível necessário para a produção de armas nucleares.

Apesar de negar interesse em construir uma bomba atômica, Teerã é acusado por países ocidentais e Israel de usar seu programa civil como fachada para fins militares. “Deixamos bem claro que o Irã nunca terá uma arma nuclear”, afirmou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Aliado de Washington, Israel acompanha com preocupação e já declarou que poderá agir caso a diplomacia falhe. O impasse ocorre em meio a uma região em ebulição, marcada por conflitos em Gaza e no Líbano, ataques no Mar Vermelho e a recente queda do regime sírio. Um fracasso nas negociações pode agravar o cenário geopolítico e afetar diretamente a segurança global e os mercados de petróleo.

Com informações da CNN Brasil.

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