Espião russo no Brasil: Fachin diz que extradição antecipada depende de decisão de Lula

Ministro do STF rejeitou entrega imediata de Sergey Cherkasov

Em decisão de dezembro de 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin rejeitou a extradição antecipada do espião russo Sergey Cherkasov, conhecido no Brasil pela identidade falsa de Victor Müller Ferreira. Conforme reportagem do GLOBO, Fachin argumentou que Cherkasov ainda responde a inquéritos no país por supostos crimes de espionagem, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O ministro ressaltou que a “liberação antecipada” para extradição é competência exclusiva do presidente da República, no caso, Luiz Inácio Lula da Silva.

O caso de Cherkasov, que ganhou destaque internacional após reportagens do New York Times revelarem ao menos nove agentes russos com identidades brasileiras atuando no país, envolve uma série de investigações conduzidas pela Polícia Federal que ainda não foram concluídas. Em março de 2023, o STF aprovou a entrega voluntária do espião à Rússia após ele concordar com a extradição, mas definiu que ele só poderia ser removido após o término das investigações no Brasil.

Além da Rússia, os Estados Unidos também solicitaram a extradição de Cherkasov, mas o governo brasileiro rejeitou esse pedido. A legislação brasileira permite a chamada “liberação antecipada” caso o extraditando manifeste interesse em ser entregue antes do fim dos processos, e com aval do Judiciário, o que não ocorreu neste caso.

Cherkasov foi condenado no Brasil pelo uso de documentos falsos, mas segue sendo investigado por outros crimes relacionados à espionagem. Sua defesa chegou a pedir a substituição da prisão por prisão domiciliar, pedido negado por Fachin devido à ausência de endereço informado para cumprimento da medida.

De acordo com investigações, Cherkasov teria uma rede de apoio no Brasil que lhe enviava valores mensais em espécie, fracionados para evitar identificação. Documentos apreendidos na sua prisão em abril de 2022, no aeroporto de Guarulhos (SP), incluem celulares, pen drives, HDs e chips que mostraram ligações com pessoas do Consulado Geral da Rússia.

O suposto agente da GRU, inteligência militar russa, usou documentos falsos para se passar por brasileiro e construiu uma vida acadêmica e profissional no exterior, inclusive tentando trabalhar no Tribunal Penal Internacional em Haia. Entre os recursos que movimentou estão depósitos em contas no Rio de Janeiro, compras de veículos e transações em corretoras de criptomoedas, conforme apurado pelas autoridades brasileiras e americanas.

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