Escala 6×1: 64% apoiam fim e preferem semana de trabalho com dois dias de folga, aponta Datafolha

Proposta unifica eleitores de Lula e Bolsonaro, mas enfrenta desafios no setor produtivo

Pesquisa do Datafolha aponta que 64% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que trabalhadores cumprem seis dias de expediente por semana. Apenas 33% rejeitam a ideia e 3% não opinaram. A consulta, realizada em 12 e 13 de dezembro com 2.002 pessoas em 113 municípios, revelou que 70% dos entrevistados preferem jornadas de cinco dias por semana, enquanto 82% defendem um limite diário de até oito horas.

O tema ganhou destaque com a PEC proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que sugere jornadas de 36 horas semanais divididas em quatro dias. Entre os argumentos favoráveis está a busca por mais tempo para convivência familiar e lazer, o que, segundo especialistas, poderia refletir em maior produtividade futura. Para o pesquisador Naercio Menezes Filho, uma mudança para a escala 5×2, com pagamento de horas extras, seria um ajuste viável.

Preferências e Diferenças Demográficas
As mulheres (70%) e jovens entre 16 e 24 anos (81%) são os grupos mais favoráveis à redução da jornada. Já homens (40%) e pessoas acima de 60 anos (48%) apresentam maior resistência. A aceitação também varia por renda e cor: enquanto 68% dos entrevistados com renda de até dois salários mínimos apoiam a mudança, esse número cai para 43% entre aqueles que ganham mais de cinco salários mínimos. A proposta tem mais adesão entre pretos (72%) e pardos (66%) do que entre brancos (59%).

Impactos e Debate Político
O debate uniu eleitores de campos opostos. Entre os que votaram em Lula no segundo turno de 2022, 73% apoiam a redução, enquanto 53% dos eleitores de Bolsonaro concordam com a ideia. Contudo, especialistas alertam para possíveis consequências econômicas. Fernando de Holanda Barbosa Filho, da FGV, destaca que setores como o comércio poderiam sofrer com a perda de renda dos trabalhadores e queda na produtividade.

Além disso, a definição da jornada divide opiniões: 58% acreditam que deve ser regulada por lei, enquanto 39% preferem a negociação entre patrões e empregados. O sociólogo Clemente Ganz Lúcio, do Dieese, sugere reduções graduais para mitigar impactos. Por outro lado, Barbosa Filho alerta contra imposições legais que desconsiderem a realidade de diferentes setores.

Com informações da Folha de S.Paulo

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