Entre churrasco e vinho, jantar de Lula e Lira teve série de assuntos espinhosos na relação do Planalto com o Congresso

O jantar entre o presidente luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),na noite de quinta-feira, teve no cardápio uma série de assuntos espinhosos na relação do Palácio do Planalto com o Congresso. Segundo informações do Globo online, o encontro de reaproximação foi marcado após Lira enviar recados ao chefe do…

O jantar entre o presidente luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),na noite de quinta-feira, teve no cardápio uma série de assuntos espinhosos na relação do Palácio do Planalto com o Congresso.

Segundo informações do Globo online, o encontro de reaproximação foi marcado após Lira enviar recados ao chefe do Executivo sobre a falta de uma base aliada consolidada para colocar em pauta propostas consideradas como prioritárias pelo novo governo.

Lira demonstrou incômodo com a forma que o governo tem pressionado o Banco Central a baixar a taxa de juros. Lula tem protagonizado embates com o presidente do banco, Roberto Campos Neto, por causa da Selic de 13,75%. O presidente da Câmara defendeu uma discussão mais tranquila.

Foi na presidência de Lira que a Câmara aprovou a autonomia do Banco Central em fevereiro de 2021, o que garantiu mandatos ao presidente da instituição. Campos Neto fica no cargo até 2024.

O jantar aconteceu três dias depois de Lira declarar que o governo Lula ainda não tem uma base consistente na Câmara e no Senado para aprovar projetos.

O recado foi passado no dia em que o presidente se reuniria com o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, a quem havia cobrado explicações sobre suspeitas de uso indevido de voos da Força Aérea Brasileira (FAB). Ao anunciar a reunião, Lula chegou a dizer que o ministro precisaria deixar o governo caso não provasse sua inocência.

A declaração não caiu bem no partido de Juscelino, o União Brasil, que apesar da participação no governo, tem se declarado independente em relação ao Palácio do Planalto.

Durante o encontro, realizado na casa do ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta, em Brasília, Lira se ofereceu para ajudar na consolidação da base do governo.

No encontro, Lira e Lula também discutiram que as prioridades do governo no primeiro semestre devem ser aprovar a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal.

A primeira ainda está em discussão por um grupo de trabalho montado na Câmara para definir uma proposta de consenso. A segunda, por sua vez, só deve ser apresentada na semana que vem.

Participaram do jantar ainda os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Rui Costa (Casa Civil) e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

O jantar durou cerca de três horas. Foi servido churrasco e vinho. Além da questão dos juros, Lula também convidou o presidente da Câmara a integrar a sua comitiva em visita à China, no fim do mês. O governo quer montar uma delegação parlamentar para acompanhar o presidente. Lira ainda não respondeu se irá.

De acordo com integrantes do governo, a maior parte do jantar foi marcado por conversas amenas. O objetivo principal era justamente estreitar a relação entre Lula e Lira.

O PT apoiou Lira na eleição para a Presidência da Câmara em fevereiro, apesar da relação do deputado alagoano com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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