Entenda por que Cláudio Castro voltou a admitir a possibilidade de cumprir todo o mandato

As incertezas quanto ao seu futuro político decorrem, sobretudo, do rompimento com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar

Só há uma chance de Cláudio Castro deixar o comando do Palácio Guanabara em abril de 2026 para se candidatar ao Senado: se obtiver o compromisso formal dos deputados e líderes partidários da base de apoio ao nome que indicar para a eleição indireta na Alerj, responsável por escolher o governador do mandato-tampão. Se não houver consenso, Castro prefere concluir o mandato para o qual foi eleito com quase 60% dos votos válidos.

As incertezas quanto ao seu futuro político decorrem, sobretudo, do rompimento com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Os dois não se falam há três meses, desde o episódio em que Bacellar exonerou Washington Reis da Secretaria de Transportes durante o período em que ocupava interinamente o governo. “O cristal se esfacelou e dificilmente será recomposto”, observa um atento analista político, em referência à quebra de confiança instaurada no caso.

Até agora, não há consenso sobre o candidato da centro-direita para a possível disputa indireta no parlamento fluminense. Castro deseja definir o nome; Flávio Bolsonaro se movimenta com a mesma intenção; e Bacellar, por óbvio, trabalha para ser eleito por seus pares. Diante das incertezas, o governador prefere, neste momento, concluir o mandato a perder o controle do Guanabara por nove meses.

Diferentemente de governadores anteriores, Castro tem a seu favor a mudança na interpretação sobre a competência de foro firmada pelo STF. Foi consagrada a tese de que vale o foro do momento em que o suposto ato irregular foi cometido. Portanto, eventuais ações contra iniciativas de seu governo terão tramitação obrigatória no STJ. Isso também o tranquiliza diante da hipótese de ficar sem mandato.

A indefinição do quadro nacional é outro fator que embaralha as cartas. Se Tarcísio de Freitas, por exemplo, for o candidato de Jair Bolsonaro, é muito provável que tenha o apoio de Eduardo Paes. Por mais de uma vez, Tarcísio já declarou ver com bons olhos uma composição com o atual prefeito do Rio. Presidido por Gilberto Kassab, o PSD de Paes é parte natural do núcleo de uma eventual candidatura presidencial do atual governador de São Paulo.

Esse arranjo entre Tarcísio/Bolsonaro e Paes favoreceria a permanência de Cláudio Castro no governo. Seu nome é cogitado para assumir a coordenação da hipotética candidatura presidencial no Sudeste. Vitorioso, Tarcísio garantiria a Castro um assento em ministério ou cargo de relevância na estrutura federal.

A aproximação entre Castro e Paes é permeada pelas perspectivas deste acordo, caso Tarcísio seja o candidato. Por razões distintas, interessa a ambos o entendimento. Paes evitaria a ascensão de Bacellar ao comando da máquina estadual, o que lhe conferiria maior competitividade eleitoral. Já Castro teria um sucessor cordial, sem disposição para eventuais vinditas – prática comum em caso de troca de comando conflituoso.

Também entre a família Bolsonaro não é absurda a possibilidade de uma aliança — ou ao menos um acordo tácito — com Paes. Se o prefeito facilitar os planos do PL para eleger dois senadores, a cúpula do bolsonarismo aceitaria de bom grado um armistício entre os dois grupos no Rio. Como é sabido, o plano estratégico do PL é eleger a maior quantidade possível de senadores. Qualquer outra questão está subordinada a essa premissa. Diferentemente da sempre beligerante base bolsonarista, a família, nesse caso, trata o assunto com absoluto pragmatismo.

Paralelamente, o governador tem recebido convites para integrar conselhos de grandes corporações da iniciativa privada após concluir o mandato. Nesta hipótese, voltaria à advocacia, com chances de se firmar no seleto mercado de consultores empresariais.

O jogo ainda não está jogado. No jargão dos técnicos, é hora de estudar os adversários para definir o caminho mais adequado visando ao cumprimento de metas estratégicas em 2026. Para Eduardo Paes, trata-se de assegurar a eleição ao governo do estado. Para o clã Bolsonaro, de garantir uma super bancada no Senado.

O mais tem pouca relevância para ambos os grupos.

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