Entenda o gesto de Eduardo Paes a Rodrigo Bacellar para consolidar o apoio do União Brasil

A reação dura foi provocada pela decisão de Caio Vianna de contrariar publicamente a orientação de Eduardo Paes para que o PSD apoiasse em Campos a delegada Madeleine, candidata do União Brasil de Rodrigo Bacellar

RICARDO BRUNO

A política é feita de gestos, de simbolismos que, mais do que palavras, traduzem intenções efetivas. O prefeito Eduardo Paes fez um aceno grandiloquente, incontrastável, ao presidente da Alerj, Rodrigo Bacelar: passou-lhe o comando do PSD campista, após destituir Caio Vianna do cargo por insubordinação. E não parou por aí. Retirou  ainda do ex-aliado o mandato provisório de deputado federal. Em seu lugar, assume, na próxima segunda-feira, o primeiro suplente, Marcelo Calero, atual secretário de Cultura do Rio.

A reação dura e terminativa foi provocada pela decisão de Caio Vianna de contrariar publicamente a orientação de Eduardo Paes para que o PSD apoiasse em Campos a delegada Madeleine, candidata do União Brasil de Rodrigo Bacellar. Em vídeo nas redes sociais, Caio fez o oposto: declarou apoio ao atual prefeito Wladimir Garotinho, inimigo figadal dos Bacellar. O movimento foi tomado no Palácio da Cidade como uma afronta ao prefeito do Rio, que há meses tentar atrair União Brasil para sua candidatura à reeleição.

Como a deliberação de Eduardo Paes em favor do União Brasil era pública e notória não houve espaço para hesitações. Caio Vianna declarou apoio a Wladimir às 17h. Três horas depois, o presidente do PSD fluminense, deputado Pedro Paulo, destituiu todo o diretório campista, declarando inativo o comando da sigla junto ao TRE (confira o documento abaixo). Ato contínuo, transferiu a presidência para Bruno Vianna (filho do ex-deputado Gil Vianna, falecido durante a pandemia), aliado de Bacellar na política goitacá. Não será surpresa se Caio for expulso do PSD nos próximos dias caso não tome a iniciativa de deixar o partido.

Além de restabelecer a hierarquia no comando da direção estadual, Eduardo Paes quis mandar uma mensagem inequívoca ao União Brasil sobre a lealdade de seu comportamento na construção  da pretensa aliança. Até agora, Antônio Rueda, presidente nacional, ainda não declarou o apoio à reeleição do prefeito. Deixa entreaberta a possibilidade e pede paciência e manifestações públicas de apreço aos quadros do União Brasil, especialmente a Rodrigo Bacellar, o mandachuva da sigla no Rio. Não por acaso, mês passado, Paes deixou o Palácio da Cidade para visitar o presidente da Alerj em seu gabinete.

Na última terça-feira (26/03), num jantar na residência do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, em Brasília, Eduardo Paes se encontrou com a cúpula nacional do  União. Estiveram presentes o presidente Rueda e o vice ACM Neto. Deu-se ali um passo importante em direção ao acordo. Os dirigentes nacionais mostraram-se convencidos sobre o rumo a tomar no Rio. Disseram que a decisão estava sendo amadurecida e reiteraram a Eduardo Paes a necessidade de gestos em direção a Rodrigo Bacellar, a quem entregaram os destinos do partido no estado.

Durante o encontro,  chegaram a oferecer o comando do diretório municipal do União ao grupo político de Eduardo Paes. Também presente, o deputado Pedro Paulo disse que essa era sua pretensão meses atrás, mas que agora não seria possível seu ingresso na sigla em decorrência de uma série de acordos já firmados no âmbito do PSD. Construções políticas com aliados na capital já não permitiriam a mudança.

Foi exatamente neste momento, diante de um quadro avançado nas negociações, que Caio Vianna resolveu se rebelar contra Rodrigo Bacellar.  Não havia outro caminho senão a punição severa do insurreto.

Após ter perdido o apoio do Republicanos, Eduardo Paes estabeleceu a conquista ao União Brasil como prioridade zero. Caio não entendeu   as  delicadas e sensíveis nuances do momento. Decidiu exclusivamente em função dos interesses paroquias da política campista e, por pouco, não põe a perder a trabalhosa tessitura de Eduardo Paes na construção da aliança.

Confira o documento de destituição de Caio Vianna do comando do PSD de Campos dos Goytacazes

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