Em queda de ponte, caminhões despejaram 76 toneladas de ácido sulfúrico no Rio Tocantins; produto é corrosivo e pode afetar 19 municípios

Número de mortes no incidente chega a três e ainda há 13 desaparecidos, informa a Defesa Civil

A queda da estrutura da ponte Juscelino Kubitschek, que ligava Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), ocasionou no vazamento de 76 toneladas de ácido sulfúrico no Rio Tocantins, proveniente dos caminhões que caíram no desabamento da via. As informações foram divulgadas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) nesta segunda-feira, que alertou as autoridades locais que o escoamento pode impactar até 19 municípios da região. O produto químico é tóxico e corrosivo.

O desabamento aconteceu na tarde do último domingo, e contabiliza três mortes, além de 13 pessoas desaparecidas, de acordo com informações divulgadas pela Defesa Civil de Estreito (MA) nesta terça-feira. Pelo menos três caminhões, três motos e um carro de passeio caíram no curso d’água. Segundo a ANA, os caminhões transportavam 22 mil litros de defensivos agrícolas e 76 toneladas de ácido sulfúrico. No mesmo dia, a Defesa Civil emitiu um alerta urgente à população das duas cidades na margem do rio, para evitarem qualquer contato com o curso da água.

O órgão federal alertou que 11 cidades do Tocantins e oito do Maranhão podem sofrer impacto com o vazamento. Os municípios no Tocantins são Aguiarnópolis, Carrasco Bonito, Cidelândia, Esperantina, Itaguatins, Maurilândia do Tocantins, Praia Norte, Sampaio, São Miguel do Tocantins, São Sebastião do Tocantins e Tocantinópolis, e no Maranhão são Campestre do Maranhão, Estreito, Governador Edison Lobão, Imperatriz, Porto Franco, Ribamar Fiquene, São Pedro da Água Branca e Vila Nova dos Martírios.

A agência disse ter iniciado a coleta de amostras de qualidade da água do Rio Tocantins em cinco pontos, desde a barragem da usina hidrelétrica de Estreito (TO/MA) até Imperatriz (MA), próximo ao ponto do desabamento da estrutura. A ANA também solicitou apoio à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB/SP) para análise das amostras coletadas.

“Por precaução, o Maranhão orientou a suspensão de captações de água para abastecimento público nos municípios banhados pelo rio até que determine que a pluma de contaminantes tenha se diluído e não ofereça perigo ao consumo da água”, diz a nota.

O Rio Tocantins é o segundo maior curso d´água do país, considerante vias fluviais que começam e tem fim no território nacional, ficando atrás somente do São Francisco.

Diluição pode ser ‘insuficiente’

Especialistas ouvidos pela reportagem alertaram que a diluição natural da correnteza “pode ser insuficiente para neutralizar o impacto a curto prazo” do vazamento dos produtos químicos. Pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Lucas Ferrante aponta que a concentração de ácido deve sofrer uma diluição natural, mas pondera que pode ser necessária a implementação de uma dosagem de outros produtos para neutralizar o efeito.

— Em poucos dias o problema deve estar contornado dada a dissolução do ácido na água, entretanto é necessário monitorar a qualidade da água, seu pH e mortalidade de animais na área como um bioindicador da qualidade do rio — explica Ferrante.

Buscas retomadas

O Corpo de Bombeiros retomou, na manhã desta terça-feira, as buscas pelos 13 desaparecidos. A Defesa Civil de Estreito e o Corpo de Bombeiros do Tocantins confirmaram a morte de três pessoas. Os corpos de Lorraine Cidronio de Jesus, de 11 anos, e Kecio Francisco dos Santos foram resgatados na manhã de hoje. O corpo de Lorena Rodrigues Ribeiro, de 25 anos, foi encontrado no dia do acidente. Ainda no domingo, um homem de 36 anos foi resgatado do rio.

Ontem, o ministro dos Transportes Renan Filho fez uma visita ao local e anunciou um aporte de pelo menos R$ 100 milhões para reconstrução da ponte. Ele prometeu entregar a estrutura ainda em 2025.

— Nós estamos com emergência decretada para contratar a reconstrução da ponte ainda dentro do exercício de 2024. Isso será um trabalho de muita resolutividade por parte do Ministério dos Transportes para que se consiga ter esta obra no que concerne não apenas à reconstrução, mas também à retirada dos escombros, avaliação dos danos causados, acompanhamento da obra e a execução das futuras obras — disse Renan Filho.

O eixo rodoviário é importante para o escoamento de produção e transporte de mercadorias entre os dois estados.

Com informações de O GLOBO.

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