Em debate na Argentina, candidato da extrema direita contesta organizações de direitos humanos e nega que 30 mil desapareceram na ditadura

O primeiro debate na TV entra candidatos à Presidência da Argentina, neste domingo (1), foi marcado por uma declaração de Javier Milei, candidato ultraliberal da extrema direta. Ele afirmou que o número de desaparecidos na ditadura militar do país foi menor do que o estimado por organizações de direitos humanos. “Não foram 30 mil desaparecidos,…

O primeiro debate na TV entra candidatos à Presidência da Argentina, neste domingo (1), foi marcado por uma declaração de Javier Milei, candidato ultraliberal da extrema direta. Ele afirmou que o número de desaparecidos na ditadura militar do país foi menor do que o estimado por organizações de direitos humanos.

“Não foram 30 mil desaparecidos, foram 8.753”, disse Milei, que lidera a maioria das pesquisas.

Milei também afirmou que há “uma visão torta da história”, chamou grupos guerrilheiros de terroristas, declarou que “durante os anos 1970 houve uma guerra e nessa guerra as forças do Estado cometeram excessos” e criticou “aqueles que usaram a ideologia [dos direitos humanos] para ganhar dinheiro e realizar negócios obscuros”.

O número oficial, que até hoje é compilado pelo Registro Unificado de Vítimas do Terrorismo de Estado, é de 8.631 mortos e desaparecidos no período de 1976 a 1983, mas o próprio relatório reconhece que a cifra é subestimada.

A candidata da esquerda, Myriam Bregman, foi a única a contestar as falas de Milei sobre a ditadura. “Eu precisaria de quatro ou cinco horas para responder às barbaridades que ouvi”, rebateu ela em tom jocoso, acrescentando que “são 30 mil e foi um genocídio”.

Myriam cunhou uma das frases mais replicadas durante o debate: “Não é um leão, é um gatinho mimado do poder econômico”, referindo-se a Milei, que se compara com o felino.

O candidato governista Sergio Massa, principal rival de Milei, segundo as pesquisas de intenção de voto, começou seu discurso tentando se desvencilhar do impopular presidente Alberto Fernández. “Eu tenho claro que a inflação é um problema enorme na Argentina. Também tenho claro que os erros deste governo causaram danos às pessoas. E por isso, ainda que eu não fosse parte até assumir como ministro da Economia [em agosto de 2022], peço desculpas.”

Milei e Massa têm polarizado a reta final das eleições argentinas, que ocorrem no próximo dia 22, por isso foram alvos de grande parte dos ataques no debate ocorrido na cidade de Santiago del Estero, no norte do país.

Patricia Bullrich, candidata da oposição macrista e terceira na maioria das pesquisas, tentou mirar os dois, mas enfatizando o antikirchnerismo.

O evento terminou sem um grande vencedor ou perdedor, com trocas de acusações de todos os lados e sem discussões muito longas. A avaliação geral na imprensa argentina foi que ninguém quis se arriscar muito: Milei se apresentou mais comedido, Massa buscou plantear um governo de coalizão, e Bullrich tentou reforçar a imagem de corajosa e linha-dura.

O programa, que diferentemente do Brasil é organizado pela Justiça Eleitoral e exibido por diversos canais e rádios, teve como eixos os temas economia, educação e direitos humanos e convivência democrática, este último votado pela população. Outra novidade foram os direitos de resposta, que não existiam antes. Um segundo debate ocorre no próximo domingo (8), em Buenos Aires.

Com informações da Folha de S.Paulo

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