O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado (7), em Salvador, que o Partido dos Trabalhadores faça uma reflexão profunda sobre seus erros políticos ao longo da trajetória recente.
Em discurso à militância durante a celebração dos 46 anos da sigla, Lula afirmou que disputas internas foram decisivas para o enfraquecimento do partido em regiões estratégicas, como a Grande São Paulo.
Segundo o presidente, a legenda perdeu espaço político por não conseguir lidar com conflitos internos e por deixar de avaliar com clareza as próprias falhas. Ele disse que o PT precisa ter capacidade de reconhecer aquilo que não funcionou para evitar repetir erros do passado.
Perda de espaço na Grande São Paulo
Ao lembrar o período em que o partido governava grandes cidades paulistas, Lula destacou a dimensão da perda política. Ele citou administrações petistas em municípios como Osasco, Guarulhos, Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá, Campinas e Piracicaba, hoje fora do comando da legenda.
“O PT governava 24 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Governava Osasco, Guarulhos, Santo André, São Bernardo (do Campo), Diadema, Mauá, Campinas, governou Piracicaba. Hoje o que o PT governa? O que aconteceu? Em algum momento nós erramos. É preciso ver onde erramos para a gente corrigir, não podemos continuar persistindo no erro. O PT de Santo André era um PT extremamente organizado, era símbolo. O que aconteceu com o PT de Santo André? As brigas internas acabaram com o PT”, afirmou.
Partido além das lideranças
Aos 80 anos e às vésperas de disputar um novo mandato presidencial, Lula ressaltou que o futuro do PT não pode depender exclusivamente de sua figura. Ele afirmou que o partido precisa ser institucionalmente mais forte do que qualquer liderança individual.
“Se a gente não levar em conta a necessidade de fazer uma reflexão da nossa trajetória, o partido é que tem que ser forte, não é o Lula que tem que ser forte. O Lula é uma pessoa física e vocês são uma pessoa jurídica, vocês não podem acabar. Eu já estou com 80 anos de idade e quero dizer para vocês: eu vivo hoje o melhor momento da minha passagem pelo planeta Terra”, disse.
Narrativa política e eleições
No mesmo discurso, o presidente voltou a afirmar que a próxima eleição presidencial será marcada pela comparação entre o atual governo e o de Jair Bolsonaro, mas alertou que resultados administrativos, por si só, não garantem vitória nas urnas.
“Nós só perdemos as eleições deste ano para nós mesmos. Não há como a gente perder para os adversários. Se preparem. Vai dar PT se a gente compreender que todas as coisas boas que nós fizemos, por si só, pode não ganhar as eleições. É importante vocês saberem que se depender do que nós já fizemos, comparado a eles, nós já ganhamos essas eleições. Mas não é isso que vai decidir. Não é isso. Não se iludam. O que vai ganhar as eleições é a nossa narrativa política”, afirmou Lula.
Para o presidente, o desafio do partido será transformar realizações de governo em uma narrativa capaz de dialogar com o eleitorado e reconstruir a força política perdida em diferentes regiões do país.






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