O número de passageiros de ônibus nas capitais brasileiras diminuiu quase à metade nos últimos 10 anos. Os dados são da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), divulgados nesta terça-feira (6). A pesquisa aponta também aumento de cidades que adotam a tarifa zero e aumento no nível de subsídios no custo de operação do transporte público.
A pesquisa da associação acompanha o número de passageiros transportados em nove capitais brasileiras: Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Em outubro de 2014, essas cidades chegaram a transportar mais de 400 milhões de passageiros acumulados por mês. O índice caiu para 223 milhões em outubro de 2023.
Em relação a 2019, antes da pandemia, o número de passageiros caiu 25,8%, quando estava na casa dos 293 milhões. O estudo afirma que a demanda pelo transporte por ônibus não deve retornar ao patamar pré-pandêmico.
Tarifa zero
Nos últimos quatro anos, 91 cidades brasileiras adotaram a política de tarifa zero. No total, 135 municípios possuem a gratuidade. Dessas, 64% têm população inferior a 50.000 habitantes e contam com uma frota de no máximo 10 veículos: com custo baixo, fica mais fácil implementar a medida, aponta o estudo da NTU.
As três maiores cidades com tarifa zero são Caucaia, no Ceará, com 350 mil habitantes; Luziânia, em Goiás, com 208 mil habitantes; e Maricá, no Rio de Janeiro, com 197 mil habitantes.
Subsídios públicos
O valor médio da tarifa de ônibus no país fica na casa de R$ 4,50, um aumento de 6% comparado a 2022. O estudo destaca, no entanto, que o valor médio praticado está abaixo da série histórica estudada, em especial entre o início dos anos 2000 a 2019, quando o custo da passagem variava entre R$ 5,00 e R$ 6,50 (com correção monetária), por conta de um aumento de aporte de subsídios pelo poder público nas tarifas.

Em 67 cidades brasileiras que adotam o subsídio para custear a operação do transporte público de ônibus, o nível de subvenção tinha uma média de 30%. Araucária, no Paraná, aparecia a cidade com o maior nível de subsídio, com 75% do custo do transporte bancado pelo poder público. Brasília, no Distrito Federal, contava com 50% de subsídio e São Paulo aparecia com 47% de subvenção.
Em 24 cidades europeias analisadas, o nível médio de subvenção é na casa de 55%, com destaque para cidades como Praga, na República Checa, com 80% de subvenção.
Em 2023 foram vendidas cerca de 10.500 unidades de ônibus no Brasil após três anos em que a marca não superou a casa das 9.600 unidades, por causa da pandemia. Existe no país uma frota de 107.000 ônibus.
Com informações do GLOBO.





