‘Ele mandou eu abrir a boca e mandou eu chupar’: depoimento de vítima revela detalhes do estupro dentro de hospital público no Rio

Jovem de 24 anos narra abuso sexual sofrido sob efeito de medicamentos no Hospital Getúlio Vargas; técnico de enfermagem foi preso em flagrante

Em depoimento à Polícia Civil, uma paciente de 24 anos relatou com riqueza de detalhes o abuso sexual que sofreu enquanto estava internada no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. A jovem afirma ter sido dopada, ameaçada e violentada por um técnico de enfermagem durante a madrugada, enquanto ainda se recuperava de um acidente de trânsito. O conteúdo do depoimento foi revelado pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (16).

“Ele disse que todas dormiriam bem aquela noite, me deu dois comprimidos dizendo que era para pressão, retirou minha fralda e começou a fazer a limpeza. No momento de limpar minhas partes íntimas, ele enfiou o dedo”, declarou a vítima à 22ª DP (Penha), onde o caso foi registrado. A paciente estava internada havia cerca de dez dias, aguardando cirurgias no joelho e tornozelo.

Ainda segundo seu depoimento, o agressor — identificado como Joaquim Rodrigo Bandeira Portella, de 48 anos — retornou ao leito com uma seringa nas mãos e fez uma ameaça direta. “Disse que era para eu ficar quieta, senão injetaria o líquido e eu morreria.”

Sob efeito dos medicamentos, a jovem adormeceu, mas acordou pouco depois sentindo dor no braço fraturado. “Ele puxou meu braço quebrado, e acordei de dor. Quando abri os olhos, ele estava com o pênis para fora da calça, se masturbando.”

Em estado de choque e ainda sonolenta, a paciente diz ter sido forçada a fazer sexo oral. “Mandou eu abrir a boca. Muito assustada e sonolenta, eu abri. Ele colocou o pênis na minha boca e mandou eu chupar. Depois de alguns minutos, ejaculou.”

Ao deixar a enfermaria, o técnico de enfermagem ainda teria zombado da situação. “Deu um tapinha no meu rosto e disse: ‘Muito bem, mãezinha!’”, contou. A jovem então cuspiu o sêmen em um copo vazio, ligou para familiares pedindo socorro e pediu ajuda à paciente do leito ao lado, que acionou uma enfermeira. O material genético foi armazenado em uma garrafa de água mineral e recolhido como evidência.

Policiais militares foram chamados ao local e prenderam Joaquim Portella em flagrante. Conduzido à 22ª DP, ele permaneceu em silêncio durante o depoimento e se recusou a fornecer material biológico para exames. Foi autuado por estupro de vulnerável e transferido para o sistema prisional.

A vítima, por sua vez, forneceu voluntariamente amostras de sangue e urina para exames toxicológicos. A Polícia Civil informou que as investigações continuam.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que Joaquim era funcionário terceirizado da Fundação Saúde e foi imediatamente desligado após a denúncia. A pasta disse ainda que está prestando apoio à paciente e colaborando com as investigações.

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