Dr. Rubão é alvo de terceira tentativa seguida de impeachment na Câmara de Itaguaí

Nova comissão processante apura falta de soro antiofídico, contra veneno de cobras, na rede de saúde. Outras duas tentativas de cassação já foram barradas pelo STF

A novela política de Itaguaí ganhou um novo capítulo — ou melhor, uma reprise — nesta terça-feira (18). A Câmara Municipal aprovou a abertura de mais uma comissão processante contra o prefeito Rubem Vieira, o Dr. Rubão (Podemos). O motivo da vez é a cobrança de explicações sobre a falhas no abastecimento de soro antiofídico na rede municipal de saúde.

Mas, ronda nos corredores que o remédio para picada de cobra é apenas pretexto para mais uma batalha entre o alcaide e o presidente do Legislativo itaguaiense. Esta é a terceira tentativa de cassação aberta contra Rubão num intervalo de poucos meses — todas sob a batuta do presidente da Casa, Haroldo de Jesus, o Haroldinho (PDT).

A nova ofensiva ocorre poucos dias após as duas tentativas anteriores terem naufragado no Judiciário. Em agosto, o ministro do STF Dias Toffoli extinguiu uma Comissão Especial Processante aberta em tempo recorde pela Câmara, apontando violação de súmulas vinculantes e atropelo do rito legal. Antes disso, uma CPI sobre contratos de limpeza também havia sido judicializada.

O algoz também é alvo

A insistência da Câmara em cassar Rubão acontece num momento delicado para o próprio presidente do parlamento: Haroldinho é alvo de uma ação no STF, movida pelo PRD, que questiona a legalidade da permanência do edil no comando da Casa.

A acusação é espelhada na que ele faz contra o prefeito: a perpetuação no poder. O partido alega que Haroldinho está exercendo um terceiro mandato consecutivo na presidência da Câmara — tendo sido reeleito para o cargo nos biênios 2021-2022, 2023-2024 e novamente em janeiro deste ano —, o que seria inconstitucional.

Histórico de instabilidade

O clima em Itaguaí é de instabilidade permanente desde as eleições. Rubão, que teve o registro de candidatura questionado, só conseguiu assumir a prefeitura em junho, graças a uma liminar de Toffoli. Durante o primeiro semestre, quem sentou na cadeira de prefeito foi justamente Haroldinho, na condição de interino.

Desde que Rubão voltou e Haroldinho retornou para a Câmara, a paz acabou. O presidente da Casa tenta a todo custo abreviar o mandato do prefeito, enquanto tenta se segurar no comando do Legislativo.

Agora, com a terceira comissão processante aberta, a defesa do prefeito deve novamente recorrer ao Judiciário, e a novela terá novos capítulos.

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