Doca e Boto: quem são os aliados de Celsinho no controle da Zona Oeste

Chefe do Comando Vermelho e miliciano com histórico violento, dupla articulou a ocupação de territórios estratégicos

A reaproximação de Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, das dinâmicas do crime organizado envolveu duas figuras centrais do submundo carioca: Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e André Costa Bastos, o Boto. A aliança, segundo a Polícia Civil, foi estratégica para ampliar o domínio de territórios na Zona Oeste do Rio, especialmente na região de Curicica, sem provocar confrontos diretos entre facções rivais e milicianos.

Celsinho foi preso nesta quinta-feira (8), durante a Operação Contenção, que contou com agentes da 32ª DP (Taquara), da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte). Ele possuía 52 anotações criminais.

O pacto entre os três revelou uma rara convergência entre milícia e tráfico, marcada por interesses territoriais e econômicos em comum.

Quem é Doca

Edgar Alves de Andrade, também conhecido como Doca ou Urso, é apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho. Mesmo foragido desde 2017, após escapar do sistema prisional, ele é apontado como chefe do tráfico na região da Vila Cruzeiro.

Nascido na Paraíba e criado na comunidade carioca, Doca, segundo a polícia, já esteve escondido no Morro do São Simão, em Queimados, na Baixada Fluminense.  Ele tem condenações por homicídio, tráfico e tortura. Além disso, é alvo de diversos mandados de prisão, entre eles, pelo desaparecimento de três meninos em Belford Roxo, em 2021.

De acordo com o inquérito, uma testemunha relatou que Wille de Castro, o ‘Stala’ — um dos envolvidos no crime — afirmou ter recebido autorização de Doca para executar os assassinatos. Após a repercussão nacional do caso, o chefe teria ordenado a execução de Stala, além de torturar e matar outros participantes do crime, numa tentativa de apagar vestígios e conter danos à facção.

Ele também é suspeito de envolvimento em outros casos, como o assassinato de três médicos em um quiosque na Barra da Tijuca, em 2023, e da tentativa de sequestro do piloto Adonis Lopes, além de ser réu no ataque à 60ª DP (Duque de Caxias). O crime aconteceu em fevereiro de 2025 com o objetivo de resgatar Rodolfo Manhães Viana, o ‘Rato’, preso horas antes por tráfico de drogas na comunidade Vai Quem Quer.

Quem é Boto

Do lado da milícia, André Costa Bastos, conhecido como Boto, comanda um dos grupos paramilitares mais violentos em atuação no Rio. Aos 40 anos, ele é investigado por extorsão de moradores e comerciantes em bairros como Curicica, Recreio dos Bandeirantes e Campo Grande. Além disso, é apontado como responsável por empreendimentos imobiliários ilegais erguidos em áreas dominadas por milicianos.

Boto foi preso em flagrante em 2021 por porte ilegal de arma e receptação, mas já era investigado por uma série de crimes, incluindo a construção irregular de um prédio com 37 apartamentos — empreendimento que, segundo estimativas da polícia, poderia render cerca de R$ 12 milhões à milícia. Na tentativa de escapar da identificação, chegou a fazer um procedimento de harmonização facial.

Boto já havia sido preso em 2017 transportando 3,5 mil munições de calibre 9mm pela Rodovia Presidente Dutra. Na ocasião, ele estava acompanhado de um policial militar, Bruno Cesar Macedo de Jesus, conhecido como Bruno Bala.

Atualmente, ele segue detido em uma penitenciária federal, no entanto, isso não impede que as negociações com o mundo do crime continuem ativas. Foi da prisão que Boto fechou o acordo com Celsinho e cedeu o controle de algumas comunidades na Zona Oeste. 

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