Em fevereiro de 2021 a Netflix causou frenesi internacional entre fãs de histórias de fantasia e, em especial, aos amantes das lendas e causos do folclore brasileiro. A série Cidade Invisível misturava tragédia pessoal, investigação policial ambiental e criaturas míticas como Curupira, Cuca, Iara, Saci, entre outras. 

O protagonista, um policial ambiental, perde a esposa num incêndio com consequências misteriosas, descobre um boto-cor-de-rosa morto na praia e acaba conhecendo seres que deveriam existir apenas nas histórias passadas de geração a geração.

O projeto era assinado por Carlos Saldanha, brasileiro reconhecido internacionalmente por suas animações de sucesso como A Era do Gelo e Rio. E o modelo já havia sido aplicado em vários formatos, como séries, livros ou animações: trazer personagens místicos para tramas do mundo contemporâneo. No fim das contas, a combinação funcionou. A primeira temporada, que tinha Alessandra Negrini no papel da Cuca, figurou entre as séries mais vistas da Netflix em mais de 40 países.

Cidade Invisível trouxe o folclore brasileiro para a cena global, encorpou personagens mitológicos com estética e emoção, promoveu visibilidade, e atingiu sucesso quantificável. Mas sucumbiu às exigências práticas das plataformas: custo, audiência decrescente, expectativas de público e críticas.

Restou a ela a marca de um “quase clássico folclórico moderno”: rica em imagens, em mitos, em potencial, mas deixada por enquanto em suspenso, como uma lenda que não se concluiu. 

A história da série

Cidade Invisível teve duas temporadas na Netflix. A primeira estreou em 5 de fevereiro de 2021, com sete episódios e ambientada no Rio de Janeiro. Eric (Marco Pigossi), um fiscal ambiental atormentado pela morte de sua esposa em um incêndio, encontra um boto-cor-de-rosa morto na praia — ponto de partida para descobrir que criaturas do folclore brasileiro vivem entre humanos. 

A segunda temporada foi lançada em 22 de março de 2023. Ela possui menos episódios (cinco) e leva a narrativa para a Amazônia, para santuários naturais protegidos por indígenas, conflitos com garimpeiros, a filha de Eric (Luna) e a Cuca em papéis centrais no novo arco, além de explorar ainda mais entidades do folclore brasileiro.

Apogeu e declínio

Cidade Invisível estreou arrasando tanto em número de visualizações quanto em críticas positivas. Esse desempenho levou a Netflix a renovar rapidamente a série para uma segunda temporada — que figurou entre os conteúdos mais assistidos em cerca de 40 países. 

Entretanto, a nova leva não foi tão bem recebida. Muitos fãs criticaram o número reduzido de capítulos, a demora entre os capítulos, além de alguns arcos narrativos considerados menos convincentes. Apesar disso, a produção continuou a aparecer no top 10 da Netflix Brasil por algum tempo.

Quem estava envolvido no projeto?

O criador da série é Carlos Saldanha, animador e diretor com renome internacional, principalmente por suas animações como A Era do Gelo, Rio e Ferdinando. A história foi desenvolvida também por Raphael Draccon e Carolina Munhóz, autores acostumados a trabalhos com fantasia e literatura popular.

O elenco principal contava com nomes como Alessandra Negrini no papel da Cuca, Marco Pigossi como o policial Eric, Manu Dieguez como Luna — filha de Eric, que assume papel importante na segunda temporada, além de participações sensacionais de gente como José Dumont, Simone Spoladore, Jéssica Córes e Tainá Medina.

E por que acabou?

Toda boa lenda está envolta em mistérios. A Netflix até hoje não se pronunciou oficialmente sobre o cancelamento. Em entrevistas, Carlos Saldanha disse que continua interessado em manter esse universo vivo, possivelmente via spin-offs focados em personagens como a Cuca ou Iara.

Meses atrás, entretanto, o ator Marco Pigossi, que interpretava um dos personagens principais, fez uma postagem em suas redes sociais despedindo-se de Eric, dando a entender que não haverá continuidade na trama inicial.

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading