Dissidências no PT e PSOL aprofundam crise na base com pacote fiscal do governo

Rui Falcão, ex-presidente do PT, votou contra e disse que não ajudará a retirar direitos

As votações do pacote fiscal proposto pelo governo federal revelaram uma crise interna na bancada do PT e agravaram o desgaste com o PSOL, integrante da base governista. O deputado Rui Falcão (PT-SP), ex-presidente do partido (foto), foi um dos principais críticos, votando contra medidas como mudanças no abono salarial e na concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Falcão destacou sua independência em relação ao governo:
— Eu sou do PT, não funcionário do governo. Nunca votei para reduzir direitos — declarou.

Além de Falcão, outros petistas, como Natália Bonavides (RN) e Marcon (RS), também se opuseram à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o abono salarial. As divergências refletem insatisfação com o direcionamento do pacote, considerado por alguns parlamentares como uma agenda de austeridade próxima às políticas do governo anterior.

No PSOL, nenhum deputado votou a favor da PEC

No PSOL, o descontentamento foi generalizado. Nenhum deputado da sigla votou a favor da PEC ou do Projeto de Lei Complementar (PLP) que permite o bloqueio de emendas. Parlamentares como Chico Alencar (RJ) criticaram a falta de tempo para debates no Congresso:
— O governo demorou meses para apresentar o pacote, mas deu ao Parlamento poucos dias para discutir medidas que impactam diretamente os mais vulneráveis.

O líder do PSOL ressaltou que o ajuste fiscal atinge principalmente a população de baixa renda, enquanto as reformas tributárias, como a do Imposto de Renda, permanecem adiadas.

Líder do PT diz que divergências serão tratadas internamente

A liderança do PT na Câmara minimizou as divergências. Odair Cunha (MG) afirmou que o partido discutirá o assunto internamente, mas evitou comentários sobre os votos contrários.

Rui Falcão, entretanto, apontou a ausência de um projeto de reforma do Imposto de Renda como fator agravante. Ele destacou que medidas de compensação poderiam ter dado mais argumentos para justificar os cortes:
— Disseram que o projeto viria antes do pacote, mas agora vemos o governo adiá-lo para o próximo ano.

Apesar das críticas, Falcão reafirmou seu apoio ao governo Lula e desejou sucesso à agenda de combate às desigualdades sociais. Já a deputada Natália Bonavides apontou a especulação financeira como fator de pressão:
— Querem sequestrar o governo para que ele adote uma agenda rejeitada nas urnas. Precisamos resistir e continuar garantindo direitos.

Com informações de O Globo

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