Diretor da PF aponta falta de provas contra alguns dos citados por Mauro Cid em tentativa de golpe

Michelle e Eduardo Bolsonaro estão ausentes de relatório porque não foram encontradas evidências que comprovassem o que foi dito em delação

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que não há elementos suficientes para indiciar todas as pessoas citadas na delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi dada durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (27).

Na delação, revelada recentemente, Mauro Cid apontou 9 dos 40 indiciados pela PF como parte da suposta trama golpista. Entre os citados, aparecem a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, no entanto, não foram indiciados no relatório final.

“No caso concreto, está lá no relatório [final da trama golpista] que não houve a busca de outros elementos que pudessem confirmar que essas pessoas [Michelle, Eduardo e outros não indiciados] tenham participado”, afirmou Rodrigues.

O chefe da PF ressaltou que delações são apenas “instrumentos de obtenção de provas” e que é necessário investigar e comprovar os relatos antes de considerá-los definitivos. “A colaboração não é anunciar determinadas situações e nós já tomarmos aquilo como verdade absoluta”, pontuou. Segundo ele, a equipe realizou investigações a partir das informações dadas por Cid, colheu novos depoimentos e analisou dados para chegar às conclusões apresentadas.

Questionado sobre o tempo das investigações, Andrei destacou que os inquéritos possuem um “tempo de maturação” e defendeu a consistência do relatório final da PF.

Críticas à Lava Jato

O diretor-geral da PF aproveitou a ocasião para criticar métodos adotados na Operação Lava Jato, como o uso de apresentações em PowerPoint. Ele destacou que a corporação atualmente busca uma postura mais técnica e imparcial. “A Polícia Federal de hoje não faz entrevista coletiva pré-condenando, prejulgando ninguém, não faz PowerPoint com responsáveis por operações já pré-condenando as pessoas. Faz investigação isenta, séria e responsável”, afirmou.

Regulação das redes sociais e inquéritos em andamento

Rodrigues também defendeu a regulação das redes sociais, tema que tem gerado discussões recentes, e mencionou a crise do Pix. Ele afirmou que a PF ainda aguarda mais informações da Advocacia-Geral da União (AGU) antes de instaurar um eventual inquérito sobre o caso.

A gestão de Andrei tem sido marcada pela proximidade com o presidente Lula, que ele acompanha frequentemente em viagens ao exterior, fato que gerou receios dentro da corporação sobre possíveis influências políticas.

O chefe da PF ainda comentou os embates entre a corporação e outros órgãos públicos, como o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o Exército e a Abin, no caso envolvendo o uso de um software espião pela chamada “Abin paralela”.

Com informações da Folha de S.Paulo

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