A disputa entre a Prefeitura do Rio e o governo do estado pela operação da linha 77 do BRT que liga a capital à Baixada Fluminense ganhou um novo capítulo. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), o presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado (Detro-RJ), Raphael Salgado, ameaçou dar voz de prisão ao secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, e a outros servidores da prefeitura durante uma ação de fiscalização em Mesquita, na Baixada Fluminense, nesta segunda-feira (16).
A confusão ocorreu no primeiro dia de funcionamento da linha 77, criada pela prefeitura para ligar a Praça João Luiz Nascimento, em Mesquita, ao Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, em Irajá, na Zona Norte do Rio. O serviço começou a operar às 10h, mas foi interrompido no início da tarde após o Detro autuar dois ônibus e rebocar um dos veículos.
De acordo com Arraes, a operação acabou suspensa depois que o presidente do Detro afirmou que daria voz de prisão caso novos veículos fossem autuados. “Inicialmente, (vamos recorrer) tentando administrativamente, sem nenhuma coisa belicosa, mas não vamos deixar nossos veículos apreendidos”, disse o secretário.
Ele afirmou ainda que a prefeitura está disposta a formalizar o diálogo para tentar manter a linha em funcionamento. “Se o Detro precisa de alguma formalização para que a gente possa institucionalizar essa relação e eles pararem de achar que estamos fazendo algo irregular, é só dizer. É um ofício? A gente manda um ofício hoje para a operação continuar e a população de Mesquita não ser prejudicada”, declarou.
Estado diz que transporte é ilegal
O Detro sustenta que a linha não pode operar por se tratar de transporte intermunicipal, cuja regulação cabe ao governo estadual.
Segundo o presidente do órgão, a ameaça de prisão foi mencionada durante a fiscalização por conta da continuidade da operação considerada irregular. “O transporte é ilegal, como já falei diversas vezes. E, com a prática reiterada do transporte ilegal, falei para ele: ‘infelizmente vou ter que dar voz de prisão e vou encaminhar todo mundo para a delegacia’”, afirmou Raphael Salgado.
Ele disse que houve um acordo para evitar novas apreensões. “Chegamos a um acordo, eles pediram para eu não rebocar o segundo ônibus, que eles iam parar a operação. Prontamente aceitei e permaneço inteiramente à disposição”, acrescentou.
Troca de críticas
A nova linha se tornou mais um foco de tensão entre o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o governador Cláudio Castro – que já andavam com a relação azeda após a polêmica prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), da base de Paes.
Mais cedo, após a apreensão de um dos veículos, o alcaide usou as redes sociais para criticar a ação do governo estadual. “O Governo Cláudio Castro acabou de apreender um ônibus nosso do BRT Metropolitano que vai atender o morador da Baixada pela metade do tempo e metade do preço! Que gente desrespeitosa”, escreveu.
Na mesma publicação, o prefeito acusou o estado de proteger o que chama de “máfia dos ônibus”. “Estão defendendo a máfia dos ônibus e a tragédia que são esses ônibus intermunicipais. Não fazem e não deixam fazer”, afirmou.
O episódio marcou o primeiro dia de Jorge Arraes à frente da SMTR. O secretário foi nomeado no Diário Oficial desta segunda-feira em substituição a Maína Celidonio, que deixou a pasta para integrar o gabinete do prefeito
Enquanto o impasse não é resolvido, a operação da linha 77 permanece suspensa.





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