Desembargador de São Paulo afirma que ‘transexual não é mulher’ um dia após STF reconhecer ofensa homofóbica como injúria racial

O desembargador Francisco José Galvão Bruno, presidente da seção de Direito Criminal do TJ-SP, declarou que pessoas trans não podem apelar para a Lei Maria da Penha, voltada para o combate a agressões domésticas, porque “transexual não é mulher”. A fala do desembargador foi feita um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer ofensas homofóbicas…

O desembargador Francisco José Galvão Bruno, presidente da seção de Direito Criminal do TJ-SP, declarou que pessoas trans não podem apelar para a Lei Maria da Penha, voltada para o combate a agressões domésticas, porque “transexual não é mulher”. A fala do desembargador foi feita um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer ofensas homofóbicas como injúria racial.

O Galvão Bruno disse que o vereador Thammy Miranda (PL), que se declarou um homem trans em 2014, não poderia ser enquadrado pela Lei Maria da Penha.

No entanto, em 2022, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu que a Maria da Penha também deve ser aplicada em casos de violência contra mulheres transgênero.

“Sexo e gênero, no meu tempo, significava a mesma coisa, com todo o respeito a homossexuais e transexuais. Transexual não é mulher, isso é uma humilhação para a mulher. Dizer que transexual tem que receber a Lei Maria da Penha é um absurdo. A transexual famosa, filha da Gretchen, ela pode ser réu também, então? É lógico que não”, disse ele.

“Quando não existia alfabeto, quando não se falava, já existia a diferença entre homem e mulher. E hoje querem mudar isso”, afirmou Bruno durante evento promovido ontem (22) pelo Ministério Público (MP-SP).

O evento buscava debater decisões de Tribunais Superiores sobre buscas pessoais, veiculares, domiciliares e o reconhecimento de pessoas por meio de câmeras de segurança. Bruno foi um dos palestrantes.

“Não é agradável você levar puxão de orelha, como eu levei, porque disse que mulher e homens são de sexos diferentes”, disse o desembargador.

Após a fala sobre transexuais, ele pediu desculpas a eventuais ofendidos. “Sinto muito se choquei, desagradei, ofendi alguém, não foi a minha intenção, tenho o maior respeito por todas as diversidades”, afirmou.

Com informações do Metrópoles.

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