Angra dos Reis, como todo mundo sabe, é um paraíso de 365 ilhas e outras tantas centenas de praias que praticamente ninguém, em sã consciência, vira as costas para o mar procurando programa. Mas existe, sim, o que fazer na zona rural de Angra. Não muito, é verdade. Mas a uns 20 minutinhos (de ônibus!) do Centro da cidade a gente garante pelo menos aquele banho gelado de cachoeira para dar uma limpada na água salgada do mar em points, quase sempre vazios que já que quase ninguém os conhece. Porque assim é Ariró. Um daqueles lugares que vivem mais na lembrança de quem vai do que em mapas de turista ou no Google Maps que não pega nem se você amarrar um bombril no celular.
Em Ariró o lugar mais buliçoso é o camping e o maior barulho é o indefectível som dos insetos parecendo que organizaram um protesto orquestrado. Mas tem quedas d’água dignas da Região Serrana, piscininhas de águas naturais, e, caso as crianças estejam muito atacadas, uma ponte pênsil para brincar de Indiana Jones no caminho para a praia do rio.
Ariró não tem destaque nos sites oficiais, nem na maioria dos guias do turismo. Ali, em meio à mata, ao murmúrio do rio e à memória oral dos moradores, ela inventa sua própria história. Um tanto esquecida, bem preservada, mas muito curiosa.

História
Falar da história de Ariró é escavar camadas entre o mito e o esquecimento. Sabe-se que Ariró está inserido no município de Angra dos Reis, que tem uma longa trajetória de ocupação colonial e resistência indígena, e que muitas comunidades rurais funcionam como remanescentes dessa ocupação entre serras, vales e cursos d’água.
Até mesmo chegar a uma conclusão sobre o que significa Ariró dá trabalho. Em geral nomes de localidades rurais no Brasil derivam de termos indígenas, de sobrenomes de antigos proprietários ou de adaptações fonéticas da fala local.
A hipótese mais plausível é que “Ariró” seja uma adaptação da palavra indígena “Ariri”, que em outras regiões brasileiras se referem a rios ou igarapés, e que foi deformada ao longo dos séculos. Em resumo: “Ariró” é um nome com cheiro de rio, de mata e de pronúncia local, envolto em muita incerteza documental.
Um rio de cachoeiras perdidas
Ariró é tão escondida que até o rio que dá nome à localidade é difícil de achar em descrições cartográficas. Ele nasce em meio às serras de Angra e corre por vales entre as áreas mais fechadas da mata até desaguar no mar.
E é justamente nesses trechos mais protegidos que se formam as pequenas quedas, os degraus rochosos e as piscinas naturais de água limpa, como é comum em rios de mata atlântica no litoral fluminense.

Um rio de praias deliciosas
E se você cansou de água salgada, existe até praia de rio no Ariró. Chegar lá é fácil. Para conhecer a mais famosa delas, que atende pelo pouco criativo nome de Prainha do Ariró, basta perguntar pela ponte pênsil instalada sobre o trecho do rio que corta a localidade.
A ponte não é exatamente longa, mas balança o suficiente para animar a criançada. A recompensa é a chegada em uma prainha de águas cristalinas e geladíssimas.
Não há estacionamento perto. Mas existem linhas regulares de ônibus que passam de 10 em 10 minutos e não vão deixar ninguém no aperto.
O que mais tem para fazer por lá?
A maior atração de Ariró é simplesmente “estar em Ariró”. Apreciar a calmaria, observar os pássaros, ouvir o ruído da mata e descansar longe do ritmo urbano.
Entre as atividades sugeridas pelos guias de viagem locais destacam-se trilhas leves, hospedagens rústicas a explorar as quedas d’água e as piscinas naturais. Além das pousadinhas locais, o Camping Ariró que oferece chalés, piscina, restaurante, e uma razoável infraestrutura básica para o turismo afastado da cidade.
Recentemente, Ariró tem recebido investimentos significativos em infraestrutura, incluindo obras de pavimentação, drenagem e revitalização da rede de iluminação pública, visando melhorar a qualidade de vida dos moradores e facilitar o acesso à região, com foco no ecoturismo.
Onde fica e como chegar?
Ariró é uma pequena localidade a cerca de 20 km do Centro de Angra dos Reis. Partindo da Guanabara de carro significa uma viagem entre três e quatro horas. De ônibus é preciso chegar em Angra (tarifas em torno dos R$ 80) e de lá pegar um ônibus municipal, van ou carro de aplicativo.


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