Ela não figura nos roteiros batidos de quem quer foto de Instagram com muito sol e água cristalina, mas quem se aventura até suas ilhas tropicais descobre que o paraíso às vezes mora nos recantos onde o GPS quase desiste, nos barcos de táxi que rangem e nos sorrisos simples de quem vive entre o mangue e o mar. Surpreende ver à beira do Porto de Itaguaí esse contraste eloquente entre guindastes que descarregam minério e remansos de água onde crianças nadam sem sombra de poluição aparente, ou pelo menos sem o tráfego das grandes embarcações.
Se Itaguaí tivesse um slogan turístico, talvez fosse “chegue escaldado de cidade grande e refresque-se de natureza”, pois suas praias pouquíssimo divulgadas funcionam como antídoto para quem acredita que litoral exige multidão, espreguiçadeira paga e wi-fi decente.
Mas (e sempre há um mas), esse paraíso exige preparo: travessias de barco, energia solar limitada, infraestrutura rala. Não é para todo mundo, porém, para quem aceita renunciar ao luxo, a recompensa é enorme. Itaguaí, com suas ilhas, praias escondidas, cachoeiras e tradição caiçara, mostra que é possível estar perto de centros altamente industrializados e, ao mesmo tempo, oferecer pedaços de natureza pouco explorados ou quase intocados embora vulneráveis.
Para quem busca fugir do trivial, é uma aposta certeira, mas exige humildade: respeitar os moradores, suportar falta de estrutura, adaptar-se ao ritmo lento e imprevisível do mar, da trilha e até da energia solar.

História
Ao longo do século XVIII e XIX, Itaguaí foi importante produtor agrícola. Milho, quiabo, goiaba, laranja e banana estavam entre os cultivos mais significativos.
Com o passar do tempo, o município ganhou relevância logística por sua localização, pela Baía de Sepetiba, pelos portos e ferrovias que ligam interior e litoral.
O nome Itaguaí é de origem tupi. A interpretação mais aceita é que vem da junção dos termos itá (pedra), kûá (enseada) e ’y (rio), significando “rio da enseada da pedra”.
Há outra versão menos formal, ou mais poética, que associa o topônimo a Tagoahy, significando “água amarela”, em referência possível à coloração da água ou ao solo que banha os rios locais.
Qual a importância da Ilha da Madeira?
A Ilha da Madeira, em Itaguaí, não é exatamente uma ilha isolada. Graças à proximidade com Coroa Grande, ela está bastante conectada, embora preserve charme costeiro.
A praia da Ilha da Madeira tem faixa de areia modesta, mar de cor esverdeada calma, coqueiros e é frequentada sobretudo por moradores locais, pescadores, e por quem escapa do trânsito da cidade para um fim de tarde. Há bares simples ou quiosques, mas não espere por uma avenida de orla estruturada nem multidões.
Ela é um dos principais pontos de partida para embarcações rumo às outras praias da região, como as da Ilha dos Martins e as praias de Itacuruçá. De lá partem táxi boats ou barcos particulares para quem vai explorar as ilhas vizinhas.

Por que a Ilha dos Martins é considerada uma joia pouco conhecida?
A Ilha dos Martins, vizinha à Ilha da Madeira, ganhou atenção recentemente em matérias de turismo como uma das joias pouco conhecidas de Itaguaí, com praias de águas calmas, vegetação preservada, trilhas curtas ligando praias, e estrutura mínima para visitante, mas suficiente para quem busca natureza e sossego.
As principais praias são a do Funil, a do Leste e a do Sul. A primeira é a maior da ilha, com faixa de areia clara e curta, orla relativamente ampla para os padrões locais, águas calmas e límpidas, ideal para famílias com crianças.
A Praia do Leste é certamente a mais famosa da região. A combinação de água verde-esmeralda límpida, faixa de areia clara e vegetação abundante cria um cenário de praia paradisíaca, que contrasta fortemente com o entorno portuário/industrial de Itaguaí.
Já a Praia do Sul é uma mais preservadas da região. Com faixa de areia clara e fina, cercada por vegetação nativa que avança até bem perto da orla, ela cria um cenário intimista e acolhedor. O mar tem águas de coloração verde-esmeralda, ideais para banho tranquilo e seguro. Por estar em um ponto mais afastado da ilha, o acesso costuma ser feito por barco ou por pequenas trilhas que conectam as praias vizinhas.

A Ilha de Itacuruçá é dividida entre dois municípios? O que tem de bom por lá?
A Ilha de Itacuruçá, embora ligada conceitualmente à Baía de Sepetiba e às ilhas tropicais do litoral do Rio, não está completamente no município de Itaguaí. Parte da ilha está sob jurisdição de Mangaratiba. Uma versão carioca da Ilha Hispaniola, no Caribe, dividida entre a República Dominicana e o Haiti.
Aqui fica a Praia de Quatiquara, uma das mais procuradas por quem busca águas calmas e transparentes em um cenário de natureza preservada. Com faixa de areia clara, sombra natural da vegetação e mar verde-esmeralda ideal para banho e prática de caiaque ou stand up paddle. O nome tem origem tupi e significa…toca do quati.
O acesso é feito por barco, geralmente a partir do cais da Ilha da Madeira ou de Itacuruçá, o que ajuda a manter o ambiente menos movimentado e com clima de refúgio, perfeito para quem quer relaxar longe da pressa urbana.
Por sua vez, a Praia do Boi é uma enseada tranquila, com faixa de areia ampla e clara, mar calmo de águas esverdeadas e transparentes. É possível avistar de lá o Porto de Itaguaí no horizonte, o que cria um contraste entre a serenidade da praia e a imponência industrial.
O que é a Cachoeira da Mazomba?
Trata-se de uma queda d’água de aproximadamente 15 metros, formada pelo Rio Mazomba, dividida em três saltos, com poços naturais, águas claras e vegetação rica.
É uma das maiores atrações de ecoturismo local, procurada sobretudo no verão por cariocas e simpatizantes, como opção de refresco, trilha leve e contato com natureza que, em muitos casos, parece saída de cartão postal.

O que é a Expo Itaguaí?
A Expo Itaguaí é uma feira agroindustrial anual, realizada geralmente nos meses de julho ou agosto no Parque Municipal de Itaguaí.
Foi criada em 1993, originalmente como feira de animais e produtos agropecuários, mas ao longo do tempo incorporou atrações culturais, musicais, parque de diversões, praças de alimentação, rodeio, artesanato.
No ano passado, atraiu cerca de 700 mil pessoas durante todo o evento.
O que mais tem para fazer por lá?
Trilhas leves pelas serras próximas, como Serra da Calçada ou o Mirante do Imperador. Banhos de cachoeira além da Mazomba, como nos rios Itimirim e Itingussú.
A gastronomia local é um oceano de possibilidades para quem aprecia frutos do mar, que gerou até um festival, realizado em dezembro, que este ano vai para sua sétima edição.
Outras atrações incluem observação de pássaros, manguezais, e a flora costeira preservada em algumas ilhas menos antropizadas.

Melhor época para ir
A melhor época para aproveitar as praias e cachoeiras de Itaguaí é no verão e no início do outono, quando as chuvas são mais frequentes, mas também o calor permite banhos de mar e de rios.
Deve-se evitar época de chuvas muito intensas para não correr risco nos trajetos de barco, nas trilhas ou nas cachoeiras.
Além disso, é bom consultar o calendário de marés para as ilhas, para evitar problemas de acesso ou trechos de praia que se fecham conforme a água sobe.
Como chegar?
Partindo do Centro da Guanabara é uma viagem de carro de aproximadamente uma hora e meia. Há várias opções de transporte público, saindo da Rodoviária Novo Rio ou do Centro de Campo Grande. Para chegar às ilhas os barqueiros costumam cobrar entre R$ 30 e R$ 60 por pessoa.


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