A secretária de Estado de Saúde, Cláudia Mello, informou durante audiência pública conjunta das comissões de Ciência e Tecnologia e de Saúde, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta quarta-feira (13/03), que o governo tem um plano de contingência em ação em todos os municípios fluminenses, de forma integrada, conectando dados atualizados com todos os órgãos ligados à pasta. A expectativa, no entanto, é que o número de casos chegue a 240 mil ainda neste ano.
Desde que o governo decretou epidemia da doença, há cerca de 20 dias, já foram registrados 130 mil casos prováveis e 38 óbitos. Um dos desafios continua sendo a baixa adesão do público-alvo à vacinação, formado por crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A secretária reiterou que a medicação é segura e que é preciso pensar no impacto positivo da iniciativa, que terá efetividade nos próximos anos.
“A secretaria vem trabalhando desde a última epidemia, em 2008, apoiando os municípios e disponibilizando o monitoramento desses locais e recebendo dados. Estamos realizando treinamentos com profissionais da área da saúde desde dezembro de 2023, quando percebemos um grande aumento nos casos, e atuando com apoio institucional e também junto à área tecnológica da secretaria”, declarou.
O maior alerta, porém, veio da superintendente de Vigilância e Atenção Primária da pasta, Luciane Velasque, que apresentou um painel elaborado pela Fiocruz e a secretaria, com dados indicativos da situação da epidemia de dengue no Estado. Segundo ela, desde outubro de 2023 já era percebido um aumento no número de notificações.
“Em fevereiro, foram notificados 78 mil casos, com 38 óbitos. Já estamos trabalhando com a previsão de 240 mil novos casos ainda este ano”, disse, acrescentando, contundo, que não se observa aumento consistente da taxa de ocupação de leitos.
Ações de conscientização
Ficou claro para os deputados que a conscientização da população sobre a importância da vacinação é um grande obstáculo, além das ações de prevenção à proliferação do mosquito Aedes aegypti – vetor da doença – como, por exemplo, não deixar água limpa parada. Presidente da Comissão de Saúde, Tande Vieira (PP) salientou que cerca de 80% dos focos da doença são encontrados dentro das casas.
“Ficaram claras muitas estratégias que precisam ser adotadas e continuadas como, por exemplo, o foco na vacinação. A gente precisa aumentar a conscientização das pessoas de que, à medida que a vacina estiver disponível, é fundamental se imunizar. Além disso, é importante investir na informação como instrumento de definição das estratégias que favoreçam o enfrentamento da epidemia”, acrescentou o deputado.
Para a presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, deputada Elika Takimoto (PT), a educação é fundamental para resolver a baixa adesão da campanha de vacinação, uma vez que esse é um fenômeno que acontece desde a pandemia de Covid-19.
Projetos em pauta
A ideia agora é que a Casa vote um pacote de projetos de lei exclusivamente relacionados à dengue. Vieira explicou que os colegiados farão um levantamento das propostas que estão em tramitação e solicitará à Mesa Diretora que elas sejam colocadas em pauta com urgência.
Entre os projetos de lei em tramitação estão os que o que institui o programa de apoio ao combate de insetos vetores de contágio de Arbovirose; e os que, respectivamente, criam a Política Estadual de Combate à Dengue e o Programa de Monitoramento Aéreo de Focos da doença, por meio de drones.





