Datafolha: aprovação de Lula volta a superar desaprovação após dois meses, mas índices seguem empatados

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22) aponta 49% de aprovação e 48% de desaprovação ao governo; diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro

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Pela primeira vez em dois meses, a aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a superar numericamente a desaprovação entre os brasileiros. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22), a três dias do segundo turno das eleições presidenciais, mostra que 49% dos entrevistados aprovam a gestão petista, enquanto 48% desaprovam. Apesar da inversão, os dois indicadores permanecem tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

O resultado interrompe uma sequência iniciada no fim de agosto, quando a desaprovação passou a ficar numericamente acima da aprovação. Em comparação com a pesquisa divulgada na semana passada, a avaliação negativa recuou dois pontos percentuais, de 50% para 48%, enquanto a aprovação oscilou de 48% para 49%. Outros 2% dos entrevistados não souberam responder, ante 3% no levantamento anterior.

Os números mostram uma mudança na posição relativa dos indicadores, mas não permitem afirmar que houve uma alteração estatisticamente significativa na percepção dos brasileiros sobre o governo.

Aprovação volta a ficar à frente após dois meses

A trajetória da avaliação do governo Lula apresentou oscilações ao longo de 2026. Em abril, a desaprovação chegou a 51%, abrindo uma vantagem de seis pontos percentuais sobre a aprovação, a maior diferença registrada naquele momento do ano.

Nos meses seguintes, a distância diminuiu. Em julho, a aprovação alcançou 49%, contra 48% de desaprovação, mas a situação voltou a se inverter no fim de agosto.

Agora, o levantamento de outubro registra novamente a aprovação numericamente à frente, embora por uma diferença insuficiente para caracterizar vantagem estatística.

A pesquisa também mediu como os entrevistados classificam o desempenho da administração federal. Para 39%, o governo é ruim ou péssimo, dois pontos percentuais abaixo do resultado anterior.

Outros 36% consideram a gestão ótima ou boa, um ponto acima da semana passada. A avaliação regular chegou a 24%, também com oscilação positiva de um ponto percentual. Apenas 1% não soube responder.

Governo anuncia medidas sociais na reta final da eleição

A nova pesquisa foi divulgada depois de uma sequência de iniciativas do governo federal nas áreas de renda, trabalho, transporte e proteção social.

Entre as medidas anunciadas estão a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana, benefícios para microempreendedores individuais (MEIs) e a ampliação do programa Pé-de-Meia para estudantes de universidades públicas e bolsistas do Prouni, com previsão de pagamentos de R$ 700 durante dez meses.

O governo também obteve a aprovação, no Congresso Nacional, do fim da escala de trabalho 6×1, uma das principais pautas sociais discutidas durante a campanha.

Antes do primeiro turno, Lula havia anunciado o reajuste de 15% no Bolsa Família, elevando o benefício para R$ 691, além da proibição das plataformas de apostas online, conhecidas como bets.

Outra iniciativa foi o Desenrola 3.0, programa voltado à renegociação de dívidas das famílias brasileiras, com previsão de alcançar até R$ 150 bilhões em débitos.

Embora essas medidas tenham integrado a agenda do governo, os resultados do Datafolha não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre os anúncios e a oscilação da aprovação presidencial.

Quaest aponta apoio a medidas do governo

Levantamento da Quaest também identificou apoio de parcelas majoritárias da população a algumas iniciativas anunciadas pelo Executivo.

A proibição das bets recebeu avaliação favorável de 62% dos entrevistados. Desse total, 40% já conheciam a decisão e a apoiavam, enquanto 22% não tinham conhecimento prévio, mas consideraram a medida positiva.

O reajuste do Bolsa Família foi aprovado por 59% dos participantes, enquanto a proposta de incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) medicamentos para diabetes e obesidade, conhecidos como canetas emagrecedoras, recebeu avaliação positiva de 58%.

Os resultados indicam apoio a políticas específicas, mas não significam necessariamente aprovação geral ao governo ou intenção de voto em Lula.

Datafolha mostra estabilidade às vésperas do segundo turno

O levantamento também aponta empate entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, com 50% dos votos válidos para cada candidato.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo e ouviu 2.154 pessoas de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O registro informado na Justiça Eleitoral é BR-09709/2026. A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (22), três dias antes da votação de domingo (25).

Mesmo com a aprovação numericamente superior à desaprovação, o levantamento aponta um eleitorado dividido tanto na avaliação da administração federal quanto na disputa pela Presidência da República.

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