Dança partidária: PSD e Republicanos avançam nas prefeituras enquanto PSDB perde importância no cenário nacional antes das eleições de 2024

Sem as restrições da legislação eleitoral, 31 prefeitos em um grupo de 96 cidades grandes — capitais e municípios com mais de 200 mil eleitores, aptos a ter segundo turno — trocaram de partido antes das eleições municipais de 2024. Os movimentos são puxados principalmente por legendas como PSD e Republicanos, que avançaram sobre o espólio do PSDB em São…

Sem as restrições da legislação eleitoral, 31 prefeitos em um grupo de 96 cidades grandes — capitais e municípios com mais de 200 mil eleitores, aptos a ter segundo turno — trocaram de partido antes das eleições municipais de 2024. Os movimentos são puxados principalmente por legendas como PSD e Republicanos, que avançaram sobre o espólio do PSDB em São Paulo. As disputas por espaço envolvem também siglas como União Brasil, PP e MDB em uma prévia das eleições para o comando do Congresso no início de 2025.

Este conjunto de cidades, que reúne quatro em cada dez eleitores do país, é priorizado pelos partidos tanto por seu peso eleitoral quanto pela repercussão regional e até nacional de suas gestões. O PSDB elegeu o maior número de prefeitos, 18, mais da metade em São Paulo, estado que os tucanos governaram de forma ininterrupta por quase três décadas. Após a perda do Palácio dos Bandeirantes em 2022, o partido também sofreu o maior tombo, com sete desfiliações — sendo quatro de prefeitos paulistas.

A troca mais recente foi a do prefeito de Santos, Rogério Santos, que migrou para o Republicanos do governador Tarcísio de Freitas, seu aliado. Além de assegurar a aliança com Tarcísio, pesou a favor da troca o fato de o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, também ser filiado ao partido. Na véspera de sua filiação ao Republicanos, o prefeito se reuniu com Costa Filho, que anunciou investimentos para o Porto de Santos

— O PSDB infelizmente deixou de ter protagonismo nacional. Para um prefeito é importante ter portas abertas, tanto a nível estadual quanto no governo federal, e isso eu encontrei no Republicanos — afirmou o prefeito.

À frente do Republicanos, que angariou cinco novos prefeitos em cidades grandes desde 2020, o PSD fez sete filiações e hoje acumula o maior número de gestores, 13, neste conjunto de municípios. Houve filiações relevantes em São José dos Campos (SP), do prefeito Anderson Farias, ex-tucano, e em quatro capitais: Rio, Curitiba, Florianópolis e São Luís.

À exceção desta última, as outras três cidades tinham prefeitos eleitos pelo DEM, que originou o União Brasil, um dos concorrentes do PSD pela sucessão de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara. Além da sigla de Gilberto Kassab, que deve lançar o deputado Antonio Brito (PSD-BA) à cadeira de Lira, o Republicanos busca cacifar um nome: seu presidente nacional, Marcos Pereira (SP). O União deve lançar Elmar Nascimento (BA), com apoio de Lira.

Embora atribuam o troca-troca partidário de prefeitos a questões locais e à falta de restrições na lei eleitoral, dirigentes desses partidos também admitem, em caráter reservado, que o fluxo serve de termômetro para novas correlações mirando 2026.

O avanço do PSD nas cidades grandes, por exemplo, vem sendo freado neste ano por concorrentes. O PP filiou no Rio dois prefeitos egressos da sigla de Kassab: Neto, em Volta Redonda, e Wladimir Garotinho, em Campos. Na Paraíba, o União marcou para o próximo mês a filiação do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD).

Já o MDB, embora tenha assumido a prefeitura de São Paulo com Ricardo Nunes, perdeu capilaridade com desfiliações e crises internas. Em Feira de Santana (BA), o prefeito Colbert Martins rivaliza com o próprio partido, que lançará uma candidatura em aliança com governador Jerônimo Rodrigues (PT).

— Não acompanho a linha do diretório estadual do MDB, de apoio ao PT. Vou discutir minha sucessão com outros partidos da base, como União Brasil, PSDB e Republicanos — diz Martins.

Com informações de O Globo.

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