RICARDO BRUNO
Em nota à Agenda do Poder, a 3R Petroleum nega que tenha entre seus acionistas ex-diretores da Petrobras. A empresa confirma, contudo, que o ex-presidente da Petrobras Roberto Castelo Branco é o atual presidente de seu Conselho de Administração.
A transferência do executivo da estatal para a petroleira, respeitada a quarentena legal, seria aceitável não fosse o fato de a “3R” ter sido uma das principais beneficiárias do desmonte da Petrobras promovido por Roberto Castelo Branco, com a venda de ativos da empresa a preço vil.
A “3R” comprou nove polos de gás e petróleo ofertados pela estatal – três deles, ainda em fase de transição. A aquisição fez da então minúscula petroleira uma empresa altamente rentável, com o registro de crescimento de seu lucro a impressionantes 1.364%. No último balanço divulgado, a 3R registrou receita líquida no terceiro trimestre deste ano de R$ 502 milhões, um aumento de 161% em relação ao mesmo período de 2021. Já o lucro líquido foi de R$ 469 milhões, um fabuloso crescimento de 1.364%, comparado ao trimestre anterior.
Eticamente condenável, a transmutação súbita de Roberto Castelo Branco de presidente da Petrobras a presidente do board da 3R pode ser legal. Mas agride o bom senso e às regras de compliance de qualquer empresa que preze por sua reputação. O Conselho de Administração é a instância máxima de uma companhia, de onde emanam as diretrizes e estratégias de negócio. Ao board se reporta, inclusive, a diretoria executiva da empresa.
A indicação do executivo para o cargo trouxe indignação ao Sindicato do Petroleiros do Rio de Janeiro, que em nota protestara à época:
“Será que depois de um ano fora da Petrobrás o ex-presidente esqueceu ou apagou de sua memória todos as informações estratégicas sobre as atividades da Petrobrás? Será que Bolsonaro e Paulo Guedes deram alguma pílula azul para Castello apagar de sua memória e HDs informações privilegiadas? Será que a atuação de Castello, lá atrás, no momento das vendas e privatizações de cada campo que compõe a nova empresa, já não estava contratada?”, questionara o Sindipetro-RJ.
O caso em si é um exemplo rematado do capitalismo predatório instalado no país durante a gestão de Paulo Guedes. Castelo Branco era um apaniguado do Ministro da Fazenda, a quem se reportava na estratégia de desmonte da Petrobras.
Mostra ainda a forma despudorada com que atuava a direção da maior estatal do país em favor exclusivamente dos lucros dos acionistas, sem qualquer compromisso com os interesses do povo brasileiro. E evidencia as relações duvidosas, às vezes promíscuas, entre gestores de empresas públicas ou estatais e agentes do mercado.
Casos nebulosos como este merecem um exame exaustivo do Ministério Público Federal.
Leia a carta enviada à Agenda do Poder pela 3R Petroleum
“Diferentemente do que foi publicado na matéria de 22 de novembro, com o título “Ex-presidente e 11 diretores da Petrobras compraram empresa que hoje fatura bilhões com o espólio da Estatal”, a 3R Petroleum não foi comprada pelo ex-presidente da Petrobras em conjunto com diretores da estatal, assim como não é dirigida por ele e 11 ex-diretores da empresa.
Roberto Castello Branco é presidente do Conselho de Administração da 3R Petroleum, indicado por acionistas, sem nenhuma função de gestão administrativa na empresa. Ele foi nomeado por sua experiência como conselheiro de grandes empresas, visto seu longo currículo na Vale e seu tempo como presidente da Petrobras. Atualmente, ele também é membro do Conselho da Vale.
A 3R Petroleum possui em seu quadro seis diretores, um deles ex-funcionário aposentado da Petrobras após 37 anos atuando pela estatal, na qual nunca esteve à frente de nenhuma diretoria; dois estrangeiros, técnicos do setor, e outros dois jovens brasileiros que, vale ressaltar, nunca trabalharam na Petrobras. A Companhia não tem e nunca teve 11 diretores da Petrobras em sua composição, diferente do que foi publicado.
A 3R foi fundada por Ricardo Savini, em 2014, com dois sócios, que nunca trabalharam na Petrobras. Ricardo Savini, hoje CEO da Companhia, não exerceu função executiva na Petrobras, da qual pediu demissão em 1997. Anos depois trabalhou em uma empresa comprada pela Petrobras, da qual se desligou em 2012, há quase 11 anos.
A 3R é uma companhia de capital aberto, listada na B3 desde novembro de 2020, no Novo Mercado, o mais alto índice de governança corporativa. A Companhia preza pela transparência e publica em seu site de Relações com Investidores todas as informações e comunicados ao mercado: https://ri.3rpetroleum.com.br/





