A abertura de novos inquéritos da Polícia Federal (PF) para apurar negócios envolvendo Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aumentou a pressão sobre Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência e atualmente integrante da coordenação da campanha pela reeleição do petista. A informação é da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Segundo interlocutores ligados ao entorno presidencial, a permanência de Marcola na equipe eleitoral passou a ser alvo de discussões nos bastidores da campanha. A avaliação de integrantes da cúpula petista é de que a continuidade do assessor pode gerar desgaste político em meio ao avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
O nome de Marcola aparece em dois dos três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que investigam relações comerciais entre Lulinha e Antonio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, investigado em apurações sobre fraudes envolvendo benefícios previdenciários.
Empréstimo entrou no radar da investigação
A situação ganhou novos contornos após Marcola confirmar, na terça-feira (5), ter recebido um empréstimo de R$ 249 mil da lobista Roberta Luchsinger, que atuava em Brasília em parceria com Antonio Camilo Antunes.
Em nota divulgada anteriormente, o assessor afirmou que o valor foi emprestado e posteriormente quitado.
No entanto, segundo informações obtidas por pessoas que acompanham o caso, até o momento não foram apresentados documentos capazes de comprovar formalmente a operação financeira. Fontes ligadas às investigações afirmam que não há registro contratual do empréstimo, circunstância que aumentou os questionamentos dentro e fora do governo.
A ausência de documentação é apontada por integrantes da campanha como um dos fatores que alimentam a discussão sobre um possível afastamento de Marcola da coordenação eleitoral.
Transferência ocorreu antes da abertura dos inquéritos
Marco Aurélio Santana Ribeiro deixou o Gabinete Pessoal da Presidência no dia 21 de julho, quando passou a atuar diretamente na campanha pela reeleição de Lula.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, aliados do presidente afirmam que a mudança teve como objetivo preservar a estrutura da Presidência diante da possibilidade de desdobramentos das investigações.
Naquele momento, segundo essas fontes, a Polícia Federal já havia encaminhado ao Supremo Tribunal Federal um relatório solicitando a abertura de três inquéritos relacionados às atividades empresariais de Fábio Luís da Silva.
Interlocutores de Marcola afirmam que teria sido justamente nessa época que o presidente Lula tomou conhecimento dos repasses investigados.
Dois inquéritos citam o assessor
Um dos procedimentos autorizados pelo ministro André Mendonça investiga suspeitas envolvendo um assessor do gabinete presidencial e um servidor do Ministério da Saúde em possíveis ilícitos relacionados às atividades empresariais de Lulinha no mercado de cannabis medicinal.
Segundo fontes ligadas às investigações, o assessor mencionado nesse inquérito é Marco Aurélio Santana Ribeiro.
Paralelamente, um segundo procedimento, autorizado pelo ministro Flávio Dino, concentra-se especificamente nos repasses financeiros realizados por Roberta Luchsinger ao assessor presidencial.
As apurações buscam esclarecer a origem dos recursos, as circunstâncias do empréstimo e eventual relação entre os pagamentos e pessoas já investigadas na Operação Sem Desconto.
Quem é Marcola
Figura próxima ao presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro ocupou, desde o início do atual mandato presidencial, a chefia de gabinete do presidente e era responsável pela administração da agenda oficial do chefe do Executivo.
Antes de sua transferência para a coordenação da campanha eleitoral, exercia uma das funções consideradas mais estratégicas dentro do Palácio do Planalto.
Seu nome surgiu nas investigações após aparecer em mensagens trocadas entre pessoas já investigadas por participação nas fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no âmbito da Operação Sem Desconto.
Embora não seja alvo das investigações sobre as fraudes previdenciárias em si, Marcola passou a integrar o foco de apurações relacionadas às movimentações financeiras envolvendo pessoas ligadas ao chamado Careca do INSS.






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