Criminosos infiltrados em torcidas organizadas do Rio utilizavam códigos em redes sociais para marcar brigas, revelou a Polícia Civil nesta quinta-feira (18). Um dos principais sinais era a sigla PAS (Pelotão de Assalto Surpresa), usada para indicar confrontos, em contraste com a palavra “paz”, que significava apenas assistir aos jogos. Outro código consistia em perguntas como “hoje é um péssimo dia para vestir tal camisa?”, que determinava quais torcedores seriam alvos de agressões.
A descoberta foi feita durante uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), com apoio da Polícia Militar. A ação cumpriu 39 mandados de busca e apreensão em sedes e residências de integrantes de torcidas em diferentes regiões do Rio, Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo.
Segundo o delegado Álvaro Gomez, a apreensão de celulares, computadores e outros dispositivos será fundamental para identificar a dinâmica das brigas e possíveis novos envolvidos. “A análise desses dados pode até levar a uma nova fase da investigação”, destacou.
Violência e investigações
Entre os alvos estão integrantes da Torcida Jovem Fla, suspeitos de participação no assassinato de um vascaíno antes do jogo contra o Botafogo, na semana passada. O grupo havia retornado recentemente aos estádios após dois anos de suspensão.
Durante a operação, um torcedor da Torcida Jovem do Botafogo foi preso com uma arma municiada. Na sede da facção, policiais encontraram possíveis explosivos, que serão periciados.
Clássico sob alerta
A ofensiva da Polícia Civil ocorre a três dias do clássico Flamengo x Vasco, marcado para domingo (21), no Maracanã. A proximidade do jogo aumentava o risco de confrontos, segundo as autoridades. “Nossa preocupação era realizar a operação antes do clássico para conter o clima de revanchismo”, disse o delegado Gomez.
Decisão judicial
A ação foi autorizada pelo Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos, que determinou também a quebra de sigilo de dados de celulares e computadores. Em sua decisão, a juíza Renata Guarino Martins ressaltou o interesse social da apuração e destacou que os crimes investigados são punidos com reclusão.
As torcidas alvo da operação são: Raça Rubro Negra, Torcida Jovem Fla, Força Jovem do Vasco, Young Flu, Fúria Jovem Botafogo, Ira Jovem, Mancha Negra e Torcida Jovem Botafogo.
“É o CPF, não a torcida”
O tenente-coronel Guilherme, do Batalhão Especial de Policiamento em Estádios, reforçou que o objetivo não é criminalizar as torcidas, mas sim os criminosos infiltrados. “É o CPF, não a torcida”, afirmou.






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