Crianças autistas correm risco de perder tratamento por inadimplência da Unimed Ferj

Uma das unidades informou que suspensão ocorrerá a partir de 2 de maio

A possível interrupção de terapias essenciais para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem causado desespero em famílias atendidas pela clínica Follow Kids, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. A unidade informou que suspenderá os atendimentos a partir de 2 de maio devido à falta de repasses financeiros por parte da Unimed Ferj. A informação foi divulgada em reportagem pelo Dia nesta quarta-feira (16).

Erica dos Reis, técnica de enfermagem e mãe de um menino de 9 anos, relatou que foi surpreendida por um comunicado da clínica. “Para ele, hoje, ficar sem as terapias impacta tanto no desenvolvimento escolar, quanto social. Na questão motora, psicológica, em tudo. Isso é muito grave. Meu filho vai ter um retrocesso, uma regressão absurda”, afirmou.

A comerciante Simone Guerra, de 47 anos, lembra que em 2024 a mesma situação ocorreu durante a fusão da Unimed Ferj com a Unimed-Rio. “Foi feito um acordo com o Ministério Público e a ANS, onde a Unimed se comprometeu a quitar os débitos e manter o tratamento”, disse. Ela teme ver o filho, que já apresenta avanços significativos após terapia intensiva, regredir diante da nova paralisação. “Hoje ele já fala, já consegue brincar, já frequenta a escola. Foram muitos ganhos que, se perdidos, vão impactar terrivelmente nossa vida.”

O problema se agrava pela ausência de clínicas credenciadas com estrutura adequada na região. Segundo Erica, a única alternativa oferecida pela Unimed seria uma unidade em Niterói. “Você imagina colocar uma criança autista dentro de um carro por 2h30 de ida e 2h30 de volta? Meu filho não consegue”, lamenta.

Em nota, a clínica Follow Kids afirmou que há meses tenta negociar com a operadora e que o atraso compromete a sustentabilidade dos serviços: “A continuidade dos atendimentos se tornou insustentável diante da falta de compromisso com os pagamentos.” A clínica confirmou que notificou oficialmente a Unimed Ferj e está aberta ao diálogo, mas não recebeu proposta de quitação até o momento.

Procurada, a Unimed Ferj afirmou apenas estar “comprometida com a qualidade e continuidade dos serviços”, sem detalhar medidas concretas para resolver a crise. Enquanto isso, dezenas de famílias aguardam, sem respostas, a definição sobre o futuro dos tratamentos de seus filhos.

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