Antes do incêndio que matou dois brigadistas no subsolo do Shopping Tijuca, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) já havia recebido quatro denúncias de supostas irregularidades em obras internas no centro comercial, além de uma comunicação formal sobre um princípio de incêndio registrado em dezembro de 2024.
Desde janeiro do ano passado, a fiscalização do órgão realizou nove ações no local, sem que, segundo o conselho, tenha sido lavrado qualquer auto de infração.
De acordo com o CREA-RJ, no caso do princípio de incêndio comunicado em 2024, a administração do shopping não respondeu integralmente ao ofício encaminhado pela fiscalização. O centro comercial enviou apenas a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), deixando de apresentar a lista completa de empresas e profissionais responsáveis pelos serviços, informação considerada essencial pelo conselho para identificar eventuais responsabilidades técnicas em caso de irregularidades.
O CREA-RJ destacou que sua atuação se restringe à fiscalização do exercício legal das profissões de engenheiros, agrônomos e geocientistas. Ainda assim, o órgão reforça que solicita rotineiramente a documentação completa justamente para permitir o rastreamento de responsabilidades técnicas quando necessário.
De acordo com a assessoria do órgão, desde o início da atual gestão, presidida pelo engenheiro civil Miguel Fernández, foram contabilizadas cinco denúncias relacionadas ao Shopping Tijuca, incluindo a do princípio de incêndio.
Shopping permanece fechado
O shopping permanece fechado por determinação do Corpo de Bombeiros, que mantém a interdição até que sejam garantidas condições mínimas de segurança.
A investigação sobre as causas do incêndio segue em andamento. O caso está sob responsabilidade da 19ª Delegacia de Polícia (Tijuca). Na última terça-feira (6), agentes da Polícia Civil realizaram uma nova perícia no shopping, mas o trabalho foi prejudicado pelas condições adversas encontradas no local.
Na segunda-feira (5), a Defesa Civil Municipal interditou totalmente o subsolo do prédio após vistoria técnica. O órgão apontou risco estrutural no mezanino da loja atingida, além de perigo de queda de revestimentos e desplacamento de partes do teto, piso e paredes. Apesar disso, foi informado que não há risco de desabamento do edifício.
Além do subsolo, 17 lojas do térreo, localizadas entre a entrada da Avenida Maracanã e a Tok&Stok, também foram interditadas devido a deformações no piso provocadas pelo calor. Cerca de 40 veículos permanecem retidos no estacionamento, e os proprietários devem agendar a retirada junto à administração.
CPI na Alerj
O deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) anunciou que pretende protocolar um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para apurar as circunstâncias do incêndio e eventuais responsabilidades. Segundo ele, a proposta será apresentada após o fim do recesso legislativo.
Impacto no comércio e evacuação
Com as interdições mantidas, comerciantes da região já relatam queda no movimento. Segundo o presidente da Associação Empresarial e de Moradores Nova Tijuca, João Alberto, o esvaziamento foi perceptível no fim de semana, especialmente por orientação das autoridades para evitar a área afetada.
Em nota, a administração do Shopping Tijuca informou que cerca de 7 mil pessoas foram evacuadas com segurança no dia do incêndio e que todos os protocolos legais foram cumpridos. O shopping afirmou contar com 11 saídas de emergência e disse estar prestando assistência às famílias das vítimas: a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes e o supervisor de brigada Anderson Aguiar do Prado, mortos durante o combate às chamas.





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