O general Gonçalves Dias, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), descreveu o passo a passo de sua ação no Palácio do Planalto durante os ataques aos poderes em 8 de janeiro de 2023. À CPI dos Atos Antidemocráticos, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), ele também negou ter colaborado com os golpistas no dia das invasões.
“Existe narrativa de que eu facilitei. […] Eu não mandei distribuir água e esse procedimento do major Natale está sendo ouvido em um processo de sindicância que eu mandei apurar. Mandei processo para apurar tudo que tinha acontecido e se houve responsabilidade das pessoas”, declarou o general.
Em depoimento na manhã desta quinta-feira (22), o ex-ministro afirmou que assistiu aos ataques do térreo do Palácio do Planalto. Ele narrou a seguinte sequência de fatos:
1 — “Assisti ao último bloqueio da PM de Brasília ser rompido antes que os vândalos chegassem ao Planalto. […] Vi os manifestantes descerem da sede do Ministério da Justiça para o Palácio do Planalto.
2– “Ao ultrapassarem o estacionamento, eles encontraram uma tropa pequena do Batalhão de Guarda Presidencial, mas furaram esse bloqueio.”
3 — “Na avenida em frente ao Planalto, a resistência da PM foi vencida. A partir daí, começaram a agir como se tivessem uma coordenação e atuação, como se fossem cercar o Planalto.”
4 — “Claro que tive o ímpeto de reagir, de confrontar. Contudo, e adquirindo o autocontrole, concentrei-me na minha missão: não deixar que defasassem o núcleo central do poder palaciano, o gabinete do presidente, que fica no 3º andar. “
5 — “Concentrei-me em retirar os vândalos do Palácio o mais rápido possível, de preferência, claro, sem baixas e sem confrontos sangrentos. Dei a ordem aos oficiais que estavam no Palácio. Era preciso alcançar o 4º andar, o último, e descer evacuando os manifestantes de cima para baixo. Isso foi feito.”
6 — “Quando subi do 2º para o 3º andar, numa sala de reuniões contígua ao gabinete presidencial, encontrei uma senhora, uma mulher mais jovem e um rapaz. A senhora estava assustada. A mulher, neutra. O rapaz estava profundamente alterado. Tivemos algumas altercações, evitei a violência e conduzi todos eles e mais alguns para o local de acesso à escada que os levaria ao 2º andar. Eu havia determinado que as prisões fossem feitas no 2º andar.
7 — “Cuidei pessoalmente de manter indevassado o gabinete da Presidência da República. Preservamos todo o 4º andar, as salas do gabinete pessoal do Presidente da República e bloqueamos o acesso aos anexos do Palácio. E repito: sem nenhuma gota de sangue.”
8 — “Quando a minha ordem para que efetuassem prisões já tinha sido dada, o ministro Flávio Dino, da Justiça, telefonou-me e pediu que eu fosse ao ministério encontrá-lo. Escoltado pelo coronel Rogério, desci as escadas, passei pelo 2º andar, pelo térreo, pela garagem e alcancei a minha viatura.”
9 — “Pela via N2, dirigi-me ao Ministério da Justiça. Fui comunicado que o secretário-executivo dele, Ricardo Capelli, seria nomeado interventor da Segurança Pública do Distrito Federal. Ressalto: enquanto estávamos no Ministério da Justiça, as prisões já estavam ocorrendo no Palácio do Planalto.”
10 — “Restauramos o controle público e institucional da Ordem, sem nenhum confronto que tenha posto em risco vidas humanas – nem do nosso lado, nem do lado dos vândalos. Fiz tudo o que estava ao meu alcance.”
Gonçalves Dias era ministro-chefe do GSI, no dia 8 de janeiro, durante os ataques às sedes dos três poderes, em Brasília. Ele pediu demissão do cargo após a divulgação de um vídeo onde aparece no Palácio do Planalto, durante a invasão.
A presença de Gonçalves Dias no Planalto no dia dos atos foi divulgada em vídeo pela CNN Brasil. As imagens mostram o general e funcionários do GSI circulando entre os invasores no prédio do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro.
Um dos funcionários do GSI conversa com invasores e os cumprimenta. Outro funcionário do órgão entrega água mineral para os vândalos. Em nota, o GSI afirmou que as imagens mostram a “atuação dos agentes de segurança que foi, em um primeiro momento, no sentido de evacuar os quarto e terceiro pisos do Palácio do Planalto”.
Em um dos trechos das imagens do circuito interno do Planalto, o major José Eduardo Natale entrega água aos invasores. À Polícia Federal, ele afirmou que se tratava de uma técnica de gerenciamento de crise. Ele disse ainda que os golpistas entraram atrás dele na cozinha de uma das salas da Presidência exigindo água.
Nesta quinta-feira (22), Gonçalves Dias afirmou que não estava junto do major no momento da entrega.
“Eu não servi água para ninguém. Aquela imagem do major servindo água e eu do lado. A imagem do major foi gravada 15h59. E a minha imagem foi gravada 16h30. A defasagem dele dando água com a minha são 30 minutos. Eu não estava junto dele, eu não servi água, eu não fui conivente com o que estava acontecendo”, declarou.
Com informações do g1.
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