Copom decide hoje se interrompe alta da Selic após seis aumentos consecutivos

Taxa de juros do Brasil é a 3ª no ranking de maiores juros reais do mundo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define nesta quarta-feira (18) o rumo da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. Após seis altas consecutivas, o encontro poderá marcar uma pausa no ciclo de aperto monetário, iniciado em setembro do ano passado. A decisão será divulgada ao fim do dia.

Atualmente em 14,75% ao ano, a Selic está no maior patamar desde agosto de 2006. Desde que iniciou a trajetória de aumento, o Copom elevou a taxa em etapas sucessivas: uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto, três de 1 ponto percentual e outra de 0,5 ponto. O movimento teve como objetivo conter a inflação, que havia acelerado fortemente em 2023.

No entanto, indicadores recentes mostram sinais de arrefecimento. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,26% em maio e acumulou 5,32% em 12 meses, reforçando as expectativas de desaceleração dos preços. A estimativa do mercado financeiro para o IPCA de 2025 caiu para 5,25%, segundo o boletim Focus, frente aos 5,5% previstos há quatro semanas.

Apesar disso, a inflação projetada ainda se mantém acima do teto da meta contínua definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Com base nesse modelo, o Banco Central deve perseguir o centro da meta de forma contínua, mês a mês, considerando sempre os 12 meses anteriores, e não mais o acumulado apenas até dezembro de cada ano.

No comunicado da última reunião, em maio, o Copom destacou a desaceleração da economia e os sinais de que os efeitos da alta dos juros começam a aparecer. O texto, porém, não indicou claramente os próximos passos, apenas afirmou que é necessário “esperar que os canais de transmissão da política monetária estejam desobstruídos” para garantir a efetividade das medidas.

Parte dos analistas do mercado financeiro acredita que o Copom manterá a Selic em 14,75% até o fim de 2025, com possível início de cortes apenas em 2026. Outra parcela, contudo, não descarta uma nova elevação para 15% ao ano, diante das pressões de preços em setores específicos, como o de energia.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Ela baliza os juros de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras em todo o país, influenciando o custo do crédito, o consumo e o investimento. Quando o BC eleva a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, encarecendo o crédito e incentivando a poupança. Por outro lado, juros mais altos também podem frear o crescimento econômico.

No atual ciclo, o Banco Central vem adotando uma postura cautelosa. Apesar da queda recente da inflação, os riscos fiscais e as incertezas no cenário internacional ainda exigem atenção. O próximo Relatório de Inflação, previsto para o fim de junho, poderá trazer uma revisão das projeções atuais, hoje em 5,1% para o IPCA ao fim de 2025.

O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica nacional e global. No segundo dia, a diretoria do BC delibera sobre o nível da taxa básica de juros. A decisão desta quarta-feira é aguardada com grande expectativa por agentes do mercado, analistas e pelo governo, em um momento em que o debate sobre o equilíbrio entre inflação e crescimento econômico volta ao centro da agenda.

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