Eles vão vestir a amarelinha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, mas ainda alimentam o imaginário coletivo dos torcedores pela forte identificação com os clubes cariocas. Crias do Ninho do Urubu entre os selecionáveis têm forte conexão com a torcida do Flamengo. Embora atue no Real Madrid, Vini Jr já fez juras de amor ao clube de origem e promete um dia voltar. O meia Lucas Paquetá voltou ao clube em janeiro deste ano e já caiu nas graças da torcida.
Nascido e criado na Barreira do Vasco, o atacante Rayan mantém fortes laços com a torcida vascaína mesmo quatro meses após ter sido vendido para o futebol inglês. Surgido nas categorias de base do Fluminense, Luiz Henrique virou ídolo botafoguense após as conquistas da Libertadores e do Brasileirão de 2024. A Agenda do Poder ouviu setoristas da Seleção Brasileira para falar sobre a ligação dos convocados com os principais clubes do Rio.

Com experiência em coberturas de Copas do Mundo desde 1990, o jornalista Fernando Galvão, da Record TV, diz que a ligação clubística acaba conectando os torcedores com as seleções. Segundo ele, parte da torcida corintiana irá torcer pela Holanda apenas por causa da presença do atacante Memphis Depay entre os convocados do país. “O futebol do clube vem sempre em primeiro lugar para o torcedor. Por isso, é natural que aconteça essa identificação do clube para a seleção”, diz.
Ele cita a influência das redes sociais no fortalecimento desses laços mesmo após a saída dos atletas dos seus clubes de origem.
“As redes sociais passam a impressão de que as ‘crias’ nunca saem dos seus clubes de origem. Quando são negociados, prometem voltar. Isso alimenta a relação com o torcedor. O Vini Jr está sempre falando que quer jogar novamente no Flamengo. E esse retorno dos jogadores virou tendência no futebol brasileiro nos últimos anos”.
Fernando Galvão, jornalista esportivo
O jornalista também cita a identificação cultural desses jogadores com as suas regiões de origem. “O jogador do Sul costuma ser um representante de um jogo pegado. O paulista tem um estilo mais tático. Já o jogador do Rio de Janeiro tem um estilo mais leve, de dribles, gols e qualidade técnica. Isso faz com que os torcedores de diferentes regiões do país se sintam representados na Seleção Brasileira”, diz.

‘Identificação com clubes brasileiros’, diz PVC
Colunista do UOL, Paulo Vinicius Coelho, o PVC, comenta a força da conexão dos clubes de massa com os convocados.
“Há uma grande identificação com os clubes brasileiros. O Rayan é o Vasco na Seleção. Já o Luiz Henrique conta com o carinho do botafoguense. Também há ligação do palmeirense com o Endrick, do flamenguista com o Vini Jr, do Athletico Paranaense com o Bruno Guimarães e do torcedor do Santos com o Neymar”.
PCV, comentarista

Ele cita, ainda, a representatividade do Flamengo com quatro atletas na Copa: Lucas Paquetá, Alex Sandro, Danilo e Léo Pereira. Com isso, o clube iguala o número de convocados do São Paulo no Mundial de 1994, quando Parreira levou Zetti, Cafu, Leonardo e Muller.
“A Seleção Brasileira tem o maior número de jogadores em atuação no país desde a Copa de 2002. Mas não é só isso. Há muitos estrangeiros em clubes brasileiros que estarão na Copa. Isso é um indicativo de que o Campeonato Brasileiro está ganhando relevância”.

‘Luiz Henrique é cracaço’, diz Assaf
Autor de mais de 20 livros sobre futebol, o escritor Roberto Assaf diz ver um certo desinteresse da torcida brasileira pela Copa do Mundo devido à expressiva presença de jogadores sem histórico de passagens pelo clubes do país. “A gente não vê mais a rua enfeitada com bandeiras do Brasil e chão pintado. Há um desinteresse das pessoas. Isso reflete uma convocação com jogadores desconhecidos. Ninguém sabe quem é Igor Thiago ou Douglas Santos”, exemplifica.
E, em meio a convocados sem histórico no futebol brasileiro, ganha força a identificação com torcedores dos clubes do país. “O Paquetá e o Vini Jr talvez despertem mais interesse do povo pela ligação com o Flamengo. O Paquetá pode ser útil, mas não é craque. E o Vini não repete na Seleção Brasileira o mesmo desempenho que tem no Real Madrid”, analisa.

Assaf vê com entusiasmo a presença do jovem Rayan entre os convocados. “Ele fez sucesso no Vasco e se adaptou rapidamente ao futebol inglês. É rápido, driblador e não tem medo de chutar a gol”, avalia.
Mas aponta Luiz Henrique como o jogador com maior chance de destaque na Copa entre os “meninos do Rio” na lista de convocados por Ancelotti. “É um jogador que se destacou no Botafogo em 2024 e deve ser titular. O Luiz Henrique é cracaço de bola”, elogia, reforçando também a importância da conexão entre os jogadores da Seleção Brasileira com os clubes do país.

Marquinhos capitão e Neymar com a camisa 10
O treinador italiano Carlo Ancelotti falou pela primeira vez no período de preparação na Granja Comary neste sábado (30). Em entrevista coletiva na Granja Comary, em Teresópolis, ele disse que Marquinhos será o capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
O zagueiro do Paris Saint-Germain foi escolhido pelo treinador devido à sua vasta experiência e histórico de liderança, consolidando seu papel de destaque no grupo.
Aos 32 anos, Marquinhos vai disputar sua terceira Copa do Mundo. Foi reserva em 2018, na Rússia, e titular ao lado de Thiago Silva em 2022, no Catar. Marquinhos ainda não se apresentou à Seleção para o período de treinos.
Também neste sábado, a CBF divulgou a numeração completa dos jogadores. Neymar reassume a camisa 10 após dois anos e meio sem ser convocado. Matheus Cunha vestirá a 9. Vini Jr usará o número 7, assim como no Real Madrid, enquanto Raphinha vestirá a camisa 11.
O Brasil estreia no Mundial no dia 13 de junho contra Marrocos. Antes, fará amistoso contra o Panamá, às 18h30 deste domingo (31) no Maracanã. Depois, volta a entrar em campo em um novo amistoso contra o Egito na próxima semana nos Estados Unidos.


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