Combate a bingos clandestinos se intensifica e Corregedoria da PM do Rio já estourou mais de 30 este ano

A Rua Frei Henrique, em Piedade, já é um endereço conhecido da Corregedoria da Polícia Militar. Este ano, entre março e julho, os agentes da PM estouraram três vezes um mesmo bingo clandestino no local. Ali, em março, foram 124 máquinas caça-níqueis apreendidas. No início de junho, policiais penais da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap)…

A Rua Frei Henrique, em Piedade, já é um endereço conhecido da Corregedoria da Polícia Militar. Este ano, entre março e julho, os agentes da PM estouraram três vezes um mesmo bingo clandestino no local. Ali, em março, foram 124 máquinas caça-níqueis apreendidas. No início de junho, policiais penais da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) voltaram ao bingo, em busca de uma foragida da Justiça, e levaram 72 equipamentos de jogos e 27 apostadores para a delegacia. Quase dois meses depois, em 27 de julho, o bingo já estava funcionando de novo — e sendo novamente fechado, mais uma vez pela corregedoria, desta vez com 73 máquinas, 33 apostadores e dois funcionários.

A informação é do jornal O Globo que diz que “a insistente rotina de interdições da casa ilegal de jogos no bairro da Zona Norte do Rio é o exemplo da situação dos bingos no estado. Com base em informações repassadas pelo Disque-Denúncia, entre março e agosto, a PM fez pelo menos 31 operações de fechamento de estabelecimentos desse tipo, em 27 endereços diferentes de dez cidades do estado. O número supera com folga os oito bingos estourados em 2021. Nas ações, foram recolhidas pelo menos 768 máquinas em áreas dominadas pelo tráfico e por milícias”.

Vinte dessas 31 operações ocorreram na cidade do Rio, em 14 bairros. Piedade e Brás de Pina, também na Zona Norte, aparecem no topo das áreas mais visadas pelas ações da corregedoria. Mas há bingos fechados em todas as regiões da cidade, de Sepetiba a Copacabana, do Alto da Boa Vista a Madureira.

E o ritmo de operações está acelerando. Em março, foi apenas um bingo estourado. Em agosto, até a última sexta-feira, dez — na média, um fechamento a cada dois dias. O mês com mais ações da polícia para desativar bancas de apostas ilegais foi junho: 11 ocorrências.

As denúncias sobre bingos clandestinos feitas ao Disque-Denúncia, porém, superam de longe esses números. Este ano, já foram 311, o equivalente a 40% do total de informações enviadas ao serviço sobre jogos de azar.

De acordo com a PM, as ações para coibir práticas de jogo de azar e contravenções penais semelhantes são desencadeadas diante de flagrantes ou na verificação de informações que chegam por meio do Disque-Denúncia. Elas são realizadas por equipes dos batalhões de área, de delegacias e da Corregedoria Geral da PM.

Nas denúncias recebidas, há relatos de participação de público interno, ou seja, de policiais e agentes públicos nessas quadrilhas que controlam os bingos, o que tem levado a corregedoria a participar da maioria dessas fiscalizações.

Quando há indícios de envolvimento de policial direta ou indiretamente, a corporação dá início a ações para apurar a irregularidade, identificar o agente e desvendar o vínculo dele com a organização criminosa. Se essa participação for comprovada, o policial é submetido a um processo administrativo disciplinar que pode resultar na expulsão dele da instituição.

Este ano, segundo a PM, policiais não foram flagrados nos bingos fechados durante as operações. No entanto, investigações já concluídas identificaram a participação de agentes públicos. Alguns, inclusive, foram excluídos da instituição. A PM não divulgou, no entanto, quantos policiais são alvos de Inquéritos Policiais-Militares (IPMs) e quantos foram expulsos até hoje por acusações relacionadas a casas de jogos de azar.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading