Com torneiras secas, moradores de Guapimirim usam o que restou de água no Rio Soberbo para lavar roupa e fazer comida

Defesa Civil da cidade mostra que o cenário é de emergência

Faz um mês que a diarista Selma Viena, de 56 anos, não consegue lavar pratos, passar pano na varanda e, até mesmo, tomar banho de chuveiro em casa. Em Guapimirim, na Região Metropolitana do Rio, onde ela mora, a estiagem extrema, que já passa dos 60 dias, está afetando o abastecimento de água. A falta de chuvas fez com que o Rio Soberbo — conhecido por sua exuberância em trilhas e cachoeiras e responsável por abastecer a cidade — , ficasse quase seco.

A seca severa, que já atinge diferentes regiões do estado, deixou apenas um fio d’água correndo em meio às pedras. Com as torneiras secas, o rio virou a saída para moradores lavarem roupa e até fazer comida.

— A conta de água está vindo normalmente e muito mais cara. Nós moradores estamos pegando baldes com a pouca água que sobrou aqui no rio. Lavamos roupa aqui e usamos essa água até para fazer comida. Isso é uma situação de calamidade. Estamos há mais de um mês sem água. Eu até já esqueci como é tomar banho de chuveiro. Sou nascida e criada aqui. É muito triste ver assim, seco, o rio que já foi moradia para todos os peixes e que abastece a nossa cidade — lamentou Selma, que com um balde e uma bacia lavava roupa no Soberbo.

Enquanto O GLOBO estava na ponte que corta o Rio Soberbo, por volta das 10h50 da manhã, cinco famílias foram à margem do Rio pegar água, lavar roupa e pratos. Moradores têm se revezado na compra de galões de água para cozinhar e beber. Mas esse gasto extra tem pesado no bolso de cada morador ao fim de cada mês.

— Tenho comprado galões de água para comer e beber. Quando quero lavar roupa, pego um pouco de água no rio. Todos os moradores estão fazendo isso, mas não ajuda. Por mês, estou gastando em média R$ 120 comprando água. Tenho um filho e preciso cuidar dele, sem água tudo fica mais difícil — lamentou Wanderson Celso, de 33 anos.

O GLOBO entrou em contato com o gestor da concessionária Fontes da Serra, responsável pelo abastecimento local, e até a publicação desta matéria não recebeu o posicionamento da empresa.

Nível 85% abaixo da média

Uma nota técnica emitida pela Defesa Civil de Guapimirim mostra que o cenário é de emergência. O município está enfrentando uma estiagem prolongada, com índices pluviométricos inferiores à média registrada em cinco dos últimos seis meses. Os índices pluviométricos de abril a setembro são os menores aferidos em toda a série histórica da cidade para o período, configurando este momento como a pior estiagem já enfrentada, com impactos diretos no aumento da incidência de fogo em vegetação, redução da qualidade do ar e da umidade relativa, e queda acentuada no volume dos corpos hídricos em toda a região.

Segundo o laudo técnico, em abril, os índices indicavam que a água do Rio Soberbo estava 85% abaixo da média. Em maio, o nível da água ficou 70% abaixo, em junho 40%, julho 60%. Já agosto, com as chuvas que causaram alagamentos na Região Metropolitana, o nível da água chegou a ficar 20% acima da média. Agora em setembro, o Rio está 100% abaixo da média esperada.

Com informações de O Globo

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