Com tarifaço de Trump, economia global caminha para menor crescimento desde a pandemia de Covid-19, prevê OCDE

Com desaceleração nos países ricos, economia mundial deve crescer apenas 2,9% em 2025 e 2026; EUA terão queda acentuada no ritmo de expansão

A economia global caminha para o crescimento mais fraco desde a recessão provocada pela pandemia de Covid-19, segundo projeções divulgadas nesta terça-feira (3) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com a entidade, sediada em Paris, a desaceleração será puxada, sobretudo, pela retração nas maiores economias do mundo — com os Estados Unidos entre os mais atingidos. As informações são do jornal O GLOBO.

Protecionimso trumpista

A OCDE atribui a fragilidade do cenário internacional à escalada protecionista liderada pelo ex-presidente e agora candidato Donald Trump. A entidade aponta que a guerra comercial promovida pelos Estados Unidos, com a imposição de tarifas e barreiras ao comércio internacional, está minando a confiança dos mercados e reduzindo o volume de investimentos produtivos.

“A combinação de barreiras comerciais e incertezas está afetando a confiança e freando os investimentos”, aponta o relatório. A organização ainda ressalta que o aumento do protecionismo vem impulsionando as pressões inflacionárias em várias partes do mundo. Por isso, considera que novos acordos internacionais de livre comércio serão “essenciais” para destravar investimentos e conter a alta dos preços.

Na projeção mais recente, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global deve ser de apenas 2,9% tanto em 2025 quanto em 2026. Se confirmado, esse desempenho representará o mais fraco avanço da economia mundial desde o auge da crise sanitária em 2020. Desde então, todas as projeções anteriores haviam mantido o crescimento acima da marca simbólica de 3%.

Estados Unidos: freio mais brusco

O relatório destaca a situação dos Estados Unidos, cuja economia deverá desacelerar de 2,8% em 2024 para 1,6% em 2025 e 1,5% em 2026. A OCDE estima que a inflação permanecerá em níveis elevados, o que deve impedir o Federal Reserve (Fed), banco central estadunidense, de cortar as taxas de juros ao longo deste ano. Esse cenário torna o crédito mais caro e limita o consumo e o investimento privado, agravando a desaceleração.

A entidade vê com preocupação os efeitos colaterais da política tarifária estadunidense, não só para a economia dos EUA, mas também para parceiros comerciais e cadeias produtivas globais, especialmente diante da incerteza eleitoral no país.

G20 em desaceleração

Além dos EUA, a OCDE também revisou para baixo as estimativas de crescimento para a maioria dos países do G20 — grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo. O relatório completo apresenta a nova projeção individualizada de crescimento para cada membro do grupo, refletindo o impacto conjunto de juros elevados, inflação persistente e entraves ao comércio internacional.

As previsões da OCDE reforçam os alertas de outras instituições multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, sobre os riscos de um ambiente econômico global mais fragmentado e marcado por tensões comerciais, aumento de custos e instabilidade política.

A organização conclui seu relatório com a recomendação de que os países avancem em medidas coordenadas para garantir previsibilidade, restaurar a confiança dos investidores e preservar a estabilidade macroeconômica diante de um ciclo global mais restritivo.

A previsão para os países do G20 em 2025

  • Índia: 6,3%
  • Argentina: 5,2%
  • China: 4,7%
  • Indonésia: 4,7%
  • Turquia: 2,9%
  • Espanha: 2,4%
  • Brasil: 2,1%
  • Austrália: 1,8%
  • Arábia Saudita: 1,8%
  • Estados Unidos: 1,6%
  • Reino Unido: 1,3%
  • África do Sul: 1,3%
  • Canadá: 1,0%
  • Rússia: 1,0%
  • Coreia do Sul: 1,0%
  • Japão: 0,7%
  • Itália: 0,6%
  • França: 0,6%
  • México: 0,4%
  • Alemanha: 0,4%

A previsão para os países do G20 em 2026

  • Índia: 6,4%
  • Indonésia: 4,8%
  • Argentina: 4,3%
  • China: 4,3%
  • Turquia: 3,3%
  • Arábia Saudita: 2,5%
  • Austrália: 2,2%
  • Rússia: 2,2%
  • Espanha: 1,9%
  • Brasil: 1,6%
  • Estados Unidos: 1,5%
  • África do Sul: 1,4%
  • Alemanha: 1,2%
  • Canadá: 1,1%
  • México: 1,1%
  • Reino Unido: 1,0%
  • Itália: 0,9%
  • Japão: 0,7%
  • França: 0,7%
  • Coreia do Sul: 0,4%

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