A filiação da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, ao PT, marcada para o próximo dia 23, promete acirrar as disputas internas na sigla. Nascida na Favela da Maré, na Zona Norte do Rio, a integrante do governo Lula é cotada para assumir o posto de vice na chapa de Eduardo Paes (PSD) em sua tentativa de reeleição este ano. No entanto, seus articuladores apontam que o desejo pessoal de Anielle – irmã da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em 2018 – é concorrer ao Senado, disputa em que já há ao menos três petistas “na fila”.
Entre os interessados em concorrer ao Senado, destaca-se o presidente da Embratur, Marcelo Freixo. Ex-deputado federal, Freixo enfrentou derrotas em duas eleições para o Executivo: em 2016, quando concorreu à prefeitura do Rio e desbancou o aliado de Paes, o deputado federal Pedro Paulo (PSD), no primeiro turno; e em 2022, quando perdeu para o governador Cláudio Castro (PL).
Filiado ao PT há menos de um ano, Freixo enfrenta o desafio de competir com figuras mais antigas no partido que aguardam sua vez de entrar na disputa. O vice-presidente da sigla, deputado federal Washington Quaquá, tentará se eleger novamente prefeito de Maricá este ano e, em 2026, trabalhará para emplacar Fabiano Horta, atual chefe do Executivo local, na corrida ao Senado.
Outro nome relevante é o deputado federal Lindbergh Farias, que retornou ao Legislativo e ocupa posições de destaque na Câmara. Ele é um dos quatro parlamentares que revezam a liderança do partido.
André Ceciliano, secretário nacional do Ministério das Relações Institucionais, também está na disputa. Nas últimas eleições, ele terminou em quinto lugar. Seu nome é considerado uma possibilidade para o próximo pleito ao Senado, mas há outros planos, como ser vice de Paes nas eleições deste ano.
Ceciliano e o secretário municipal de Governo, Felipe Santa Cruz, são nomes vistos com chances para compor a chapa do prefeito. Atualmente, o partido tem pleiteado a vaga de vice, mas ainda não há certeza sobre se será atendido. Santa Cruz está filiado ao PSD, mas há uma articulação para que ele migre para o PT.
De olho na corrida pelo governo do estado em 2026, Paes tem sinalizado preferência por um vice de sua confiança, já que precisaria renunciar à prefeitura para disputar a eleição para governador. Por integrar o secretariado do prefeito, Santa Cruz teria vantagem sobre Ceciliano.
Em entrevista à “CNN Brasil”, Quaquá chegou a assumir que o plano pode não sair do papel:
— A prioridade do PT é a reeleição do Lula em 2026. Paes deve deixar a prefeitura para disputar o governo, portanto vai escolher alguém da sua confiança. Nossa relação com ele não admite faca no pescoço — afirmou o vice-presidente da sigla.
Ceciliano afirmou não ter recebido proposta formal, mas diz ter conhecimento de que seu nome é cotado para a função:
— Se você me perguntar, claro que quero ser vice de Paes.
Com informações de O Globo





