Com elevação das críticas ao aumento da violência policial, Tarcísio convoca comando da PM para reunião de emergência

Estado de São Paulo vive escalada da letalidade policial na gestão de Tarcísio e registrou até novembro a morte de 673 pessoas, segundo dados do MP-SP, 46% a mais do que todo o ano passado

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, convocou uma reunião emergencial com o comando da Polícia Militar após a ampla repercussão de casos recentes de violência policial na capital. O encontro, ocorrido no Palácio dos Bandeirantes, contou com a presença do comandante-geral da PM, coronel Cássio Araújo, do subcomandante-geral, José Augusto Coutinho, e do corregedor-geral da corporação, Silvio Hiroshi Oyama. O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, não participou por estar em Brasília.

A reunião foi motivada por dois episódios graves: o caso de um policial que jogou um homem de uma ponte na Zona Sul da capital, registrado em vídeo, e o de outro agente, fora de serviço, que matou um jovem com tiros pelas costas após um furto em um supermercado, também na Zona Sul.

A PM já afastou os envolvidos e instaurou inquéritos para investigar ambos os casos. No incidente da ponte, 13 policiais do 24° Batalhão, de Diadema, foram transferidos para funções administrativas na Corregedoria, medida incomum em situações desse tipo, onde geralmente os agentes continuam no próprio batalhão. Apenas o policial flagrado jogando o homem no córrego foi ouvido até o momento, e os demais envolvidos devem prestar depoimento nos próximos dias.

Os episódios intensificaram o debate sobre o uso da força pela polícia e colocaram pressão sobre o governo estadual e a corporação para agir com rigor nas investigações.

Tarcísio se manifestou sobre os dois casos em suas redes sociais. “Policial está na rua pra enfrentar o crime e pra fazer com que as pessoas se sintam seguras. Aquele que atira pelas costas, aquele que chega ao absurdo de jogar uma pessoa da ponte, evidentemente não está à altura de usar essa farda. Esses casos serão investigados e rigorosamente punidos. Além disso, outras providências serão tomadas em breve”, escreveu em uma publicação.

O secretário Guilherme Derrite também publicou uma nota afirmando que a ação será punida. “Anos de legado da PM não podem ser manchados por condutas antiprofissionais. Policial não atira pelas costas em um furto sem ameaça à vida e não arremessa ninguém pelo muro. Pelos bons policiais que não devem carregar fardo de irresponsabilidade de alguns, haverá severa punição”, escreveu.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) classificou como “estarrecedoras e absolutamente inadmissíveis” as imagens que mostram o momento em que um policial militar joga um homem do alto de uma ponte. Em nota, o MP afirma que abrirá uma investigação para “punir exemplarmente os responsáveis por uma intervenção policial que está muito longe de tranquilizar a população”.

O estado de São Paulo vive uma escalada na letalidade policial na gestão de Tarcísio e registrou até novembro a morte de 673 pessoas, segundo dados do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), do MP-SP. O número é 46% maior do que as mortes decorrentes de intervenção policial registradas em todo o ano passado, um total de 460.

Com informações de O Globo.

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