Flávio Bolsonaro escolheu um dos principais palcos das grandes manifestações bolsonaristas para dar a largada à campanha pela Presidência da República. Neste domingo (16), o candidato promoveu um ato na praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, repetindo uma estratégia adotada diversas vezes pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A semelhança, no entanto, ficou principalmente no cenário, segundo informações do colunista Lauro Jardim, publicadas no jornal O Globo. Quando o tamanho do público é colocado em perspectiva, a manifestação que marcou o início da campanha de Flávio ficou distante das grandes mobilizações comandadas por Bolsonaro no mesmo local.
Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP), aproximadamente 9 mil pessoas participaram do ato deste domingo na orla carioca. O número representa menos de um terço do público calculado em uma manifestação pró-anistia liderada pelo ex-presidente em 2024 e cerca de 14% do registrado no evento de 7 de Setembro de 2022.
Copacabana como palco eleitoral
A escolha de Copacabana para a abertura da campanha não ocorre por acaso. A Avenida Atlântica se consolidou nos últimos anos como um dos locais mais simbólicos das manifestações organizadas por apoiadores de Jair Bolsonaro.
Em 7 de setembro de 2022, quando disputava a reeleição para a Presidência, Bolsonaro reuniu cerca de 64 mil pessoas no local, conforme levantamento do Monitor do Debate Político da USP.
Dois anos depois, também no Dia da Independência, uma manifestação em defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro levou aproximadamente 32 mil apoiadores de Bolsonaro à orla de Copacabana.
Na comparação direta, portanto, a estreia eleitoral de Flávio ficou bem abaixo das duas mobilizações. O público de aproximadamente 9 mil pessoas corresponde a pouco mais de 28% dos 32 mil participantes estimados em 2024. Em relação ao ato de 2022, a diferença é ainda maior: a manifestação deste domingo alcançou cerca de 14% daquele público.
As três estimativas utilizadas na comparação foram produzidas pelo Monitor do Debate Político da USP, o que permite observar a diferença entre os eventos a partir da mesma metodologia de levantamento.
O contraste entre pai e filho nas ruas ocorre em um momento no qual Flávio tenta consolidar sua candidatura como representante do campo político liderado por Jair Bolsonaro e transformar o apoio construído pelo ex-presidente ao longo dos últimos anos em votos na corrida pelo Palácio do Planalto.
Se no poder de mobilização em Copacabana a diferença ainda é expressiva, o cenário das pesquisas eleitorais coloca Flávio em uma disputa competitiva contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estando numericamente próximo ao atual presidente.







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