Cobrança abusiva de flanelinhas no Rio chega a R$ 100 e já resulta em agressões a motoristas

Estudante foi ameaçada e teve o carro danificado após recusar pagar por vaga na Barra

A estudante de Direito Bianca Montenegro, de 19 anos, viveu momentos de tensão após se recusar a pagar R$ 20 a um flanelinha para estacionar na rua em frente à faculdade, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Na volta das aulas, cerca de três horas depois, ela foi ameaçada, empurrada e teve a porta do carro chutada. “Ele disse que tinha tirado foto do meu rosto e da placa, e que, se eu voltasse, ele me encheria de porrada”, relatou Bianca.

A agressão só não foi pior porque a jovem conseguiu entrar rapidamente no carro e trancar as portas. A amiga que a acompanhava registrou parte da cena, o que irritou ainda mais o agressor. O caso foi registrado na 16ª DP (Barra da Tijuca), que investiga a tentativa de extorsão e ameaça, como conta O Globo.

O episódio, embora grave, não é isolado. A presença de flanelinhas que cobram valores ilegais por vagas públicas se espalha por diversos pontos da cidade, com tarifas que variam entre R$ 15 e R$ 100, especialmente em áreas turísticas ou com grande fluxo de eventos. Na Prainha e em Grumari, por exemplo, flanelinhas cobram até R$ 50 — e identificam rapidamente turistas ou motoristas que podem pagar mais.

“Já vi gente dando R$ 50 na mão deles sem nem questionar”, contou um frequentador da orla.

Flanelinhas usam até maquininhas de cartão

O problema se repete na Zona Sul e em áreas próximas a estádios. Em dias de jogo no Nilton Santos ou no Maracanã, os flanelinhas disputam motoristas no meio da rua. Em muitos casos, oferecem vagas em locais proibidos e usam maquininhas de cartão e Pix para facilitar o pagamento. Em frente a uma viatura da Polícia Militar, um flanelinha chegou a garantir: “Pode passar fiscalização que não dá em nada”.

Apesar da ampla atuação desses guardadores ilegais, a prefeitura não possui uma política clara e eficaz para conter os abusos. O serviço 1746, canal oficial de denúncias, sequer oferece uma opção específica para relatar atuação de flanelinhas. Os registros acabam classificados genericamente como “problemas com estacionamento”.

Segundo o secretário municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale, a fiscalização tem sido feita, mas de forma limitada. “Atuamos com ações preventivas em áreas críticas. Só no último ano e no primeiro trimestre de 2025, abordamos mais de cinco mil flanelinhas. Desses, 57 foram encaminhados à delegacia”, afirmou.

A cobrança indevida de estacionamento público, quando acompanhada de ameaça ou violência, pode ser enquadrada como crime de extorsão, com pena de reclusão de quatro a dez anos. A Seop esclarece que apenas os guardadores credenciados com talões autorizados pela CET-Rio, e em áreas devidamente sinalizadas, podem cobrar pelo estacionamento. A tarifa oficial é de R$ 2 por período.

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