CNJ julga ações contra desembargador que deixou a Lava Jato após revelação de elo com Moro

Marcelo Malucelli se afastou da relatoria da operação após vir à tona o fato de que seu filho namora a filha mais velha do ex-juíz o e é sócio do escritório de advocacia dele

Entraram na pauta do plenário virtual do CNJ, para a próxima semana, quatro procedimentos movidos no órgão contra o desembargador Marcelo Malucelli, ex-relator da Lava-Jato no TRF-4 (PR, SC e RS), informa o colunista Lauro Jardim, do jornal O GLOBO. Três reclamações disciplinares e um pedido de providências serão analisados pelos conselheiros entre os dias 24 e 28, com potencial para transformarem Malucelli em alvo de processos administrativos.

O magistrado proferiu, em abril do ano passado, uma controversa decisão num caso da operação pela 8ª Turma da Corte (colegiado onde é presidente). A dúvida do CNJ é se, à época, ele agiu para restabelecer uma ordem de prisão contra Rodrigo Tacla Duran, advogado que o MPF acusava de atuar como operador financeiro da Odebrecht. A medida desrespeitaria uma ordem do STF para que o tema ficasse restrito ao tribunal superior. Malucelli nega que tenha dado a ordem.

Tacla Duran é o autor de uma das reclamações feita ao CNJ. Além dele, também acionaram o colegiado contra Malucelli os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Rogério Carvalho (PT-SE).

Mais do que a decisão em si, a dúvida a respeito de Malucelli é se a conduta dele no caso em questão estava relacionada a um elo com Sergio Moro. Tacla Duran acusa a Lava-Jato, incluindo pessoas ligadas ao ex-juiz da operação, de tentar extorqui-lo. E Malucelli integra indiretamente o núcleo familiar do hoje senador: o filho do desembargador, o advogado João Malucelli, namora a filha mais velha de Moro (Júlia, de 23 anos). Além disso, João é sócio dos sogros num escritório de advocacia.

Ao CNJ, em junho de 2023, Malucelli disse que não sabia da sociedade e foi surpreendido quando tomou conhecimento da informação. Ele deixou a relatoria da Lava-Jato na sequência, alegando motivos de foro íntimo.

No depoimento prestado à Corregedoria Nacional de Justiça, disse que a saída estava relacionada a uma ligação telefônica recebida pelo filho e feita pelo juiz Eduardo Appio, então titular da 13ª Vara Federal Criminal, onde os processos da operação tramitam em primeira instância. Appio, disse Malucelli, teria ligado para João em tom ameaçador — uma gravação do telefonema foi divulgada, e o juiz acabou afastado e trocado de função.

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