O celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, reúne uma extensa quantidade de informações que passou a ser analisada pela Polícia Federal. A extração do aparelho identificou 32,7 mil arquivos, entre 10,8 mil chats, 17 mil áudios e 53 mil registros de chamadas telefônicas.
Os dados são usados para mapear contatos e possíveis conexões políticas mantidas pelo banqueiro durante a crise de liquidez do Banco Master. A PF ainda não concluiu a análise e concentra os esforços nos conteúdos ligados às apurações em andamento.
Mensagens mostram contatos com autoridades
Entre os registros já identificados estão conversas que apontam o advogado Ciro Soares como intermediário entre Vorcaro e o senador Otto Alencar (PSD-BA). Em uma das mensagens reveladas por O Globo, o banqueiro se refere ao parlamentar como “conselheiro e comandante nosso”. Otto Alencar afirma que nunca se reuniu com Vorcaro.
As mensagens também indicam que Soares mantinha interlocução entre o ex-controlador do Master e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Uma fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro, em Londres, foi enviada pelo celular do advogado. A PGR confirmou a autenticidade da imagem, mas informou que não comentaria o episódio.
Gonet afirmou a pessoas próximas que a foto foi feita em abril de 2024 e que não demonstra intimidade com Vorcaro. Soares, por meio de sua assessoria, disse que o registro é daquele ano, quando “não havia nenhuma investigação” sobre o banqueiro, e afirmou que não existe “qualquer irregularidade na foto”.
PF ainda analisa grande volume de dados
Além das conversas, áudios e chamadas, a base contém uma classificação automatizada de possíveis conteúdos relacionados a nudez. Segundo informação divulgada pelo colunista Lauro Jardim, os registros receberam pontuações conforme o grau de nudez identificado nas imagens.
As classificações incluem a categoria “muito alto”, com cerca de 5,3 mil registros, e “muito baixo”, com 530 mil. Somadas todas as categorias, a avaliação automatizada chega a aproximadamente 697 mil registros classificados pelo chamado “score nudez”. A classificação, porém, não indica por si só qualquer relação desses arquivos com as investigações.
Diante do tamanho do acervo, os investigadores precisam separar o conteúdo relevante para os inquéritos de informações pessoais sem relação com as apurações. Na semana passada, parte dos dados do aparelho também foi compartilhada com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que solicitaram acesso ao material em meio à disputa interna envolvendo o caso Banco Master.







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