A relação entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos “está de boa”, garantiu o Assessor Especial da Presidência da República, Celso Amorim, um dia depois de ter conversado ao telefone com o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan.
Depois de declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o envolvimento dos EUA na guerra entre Rússia e Ucrânia, Sullivan, comentou Amorim, “quis entender melhor as posições do Brasil”. O contato entre ambos é frequente, e a conversa desta terça-feira estava prevista antes das falas de Lula, afirmou o assessor brasileiro.
— A conversa com Sullivan foi amena, e não esteve motivada por isso [as declarações de Lula sobre a guerra]. Abordamos vários temas, e ele querias entender melhor a posição do Brasil [sobre a guerra] — disse Amorim, que definiu o tom do telefonema como “amistoso”.
— Sullivan se interessou sobre a nossa visão, a defesa da multipolaridade, a proposta do grupo da paz, sobre qual seria o papel do Brasil na iniciativa. Não foi nada agressivo — ampliou o assessor do presidente Lula, que deve se encontrar pessoalmente com o conselheiro americano em breve.
Segundo Amorim, o funcionário da Casa Branca “não telefonou para se queixar” pelas declarações de Lula, ou da visita do chanceler russo, Sergei Lavrov, a Brasília nesta semana.
Perguntado sobre um estremecimento no relacionamento entre Brasil e EUA durante e após a visita de Lula à China, e a consequente necessidade de discutir esse relacionamento, Amorim foi enfático:
— Não, as relações estão normais, estamos de boa. Fui negociador comercial durante muitos anos. Em alguns momentos, a gente diverge, dá aquela espuma, mas depois vai se acalmando normalmente. A novidade hoje é que nós precisamos dos EUA, e os EUA precisam de nós. O fato de eles demonstrarem interesse em conhecer nossas iniciativas, o grupo da paz, quais países poderiam apoiar esse grupo, transparece isso — afirmou.
Na conversa, Amorim e Sullivan, acrescentou o assessor de Lula, também falaram sobre outras áreas de cooperação, entre elas clima. Nesta quinta-feira, o presidente brasileiro participará de uma videoconferência com o presidente Joe Biden sobre o assunto. O Brasil está interessado em saber de que maneira os EUA poderão cooperar financeiramente com iniciativas de combate às mudanças climáticas.
— Expressei a Sullivan dúvidas sobre algumas coisas, por exemplo o apoio dos EUA ao Fundo Amazônia. Mas tudo num tom muito ameno, amistoso. Vamos ter um encontro em breve — concluiu Amorim.
Durante visita de Lula em fevereiro, os Estados Unidos anunciaram a intenção de trabalhar com o Congresso americano — cuja Câmara é dominada pela oposição republicana — para fornecer recursos para programas para a Amazônia brasileira, incluindo “apoio inicial ao Fundo Amazônia”. Apesar disso, ainda não está claro quanto os EUA vão conseguir doar especificamente.
Com informações do GLOBO.
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