Caso Marielle: PF diz que policiais civis ignoraram de propósito imagens cruciais para investigação do crime

Relatório acusa ex-chefe da Polícia Civil de encobrir assassinos da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes

Um relatório da Polícia Federal aponta que houve obstrução deliberada nas investigações iniciais conduzidas pela Delegacia de Homicídios (DH) sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em 2018. Segundo o documento, imagens de câmeras de segurança que poderiam ter identificado os assassinos foram propositalmente ignoradas.

O relatório destaca o envolvimento de três autoridades: os delegados Rivaldo França Barbosa, então chefe da Polícia Civil do Rio, Giniton Lages, que liderava a DH, e o comissário de polícia Marco Antônio de Barros Pinto.

Encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o documento de 87 páginas indica que os três mencionados agiram para encobrir os assassinos. A investigação sobre a obstrução começou após a prisão dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, acusados de serem os mandantes do crime.

Relatório diz que polícia foi alertada sobre Ronnie Lessa

O relatório revela que Giniton Lages, o primeiro delegado a investigar o caso, foi informado desde o início sobre os prováveis executores, incluindo Ronnie Lessa, preso em 2019 e que confessou ser o autor dos disparos. Marcus Vinícius Amim, atual secretário de Polícia Civil, afirmou em depoimento que, poucos dias após o crime, tentou alertar Rivaldo Barbosa sobre suspeitos, mas foi orientado a procurar Lages, que não avançou na investigação dos principais indícios.

Imagens de segurança que poderiam corroborar a suspeita sobre Lessa e Adriano da Nóbrega, outro possível executor, não foram devidamente exploradas pela DH. Em vez disso, a investigação inicial seguiu uma falsa pista envolvendo o miliciano Orlando Curicica, baseada em depoimentos manipulados.

A PF conclui que Lages tinha conhecimento da possível participação de Lessa desde o início, mas evitou aprofundar a investigação. O relatório também destaca a ausência de imagens cruciais da rota de fuga dos criminosos, que só foram investigadas meses depois, levando à prisão de Lessa e Élcio Queiroz, o motorista do carro usado na execução.

O documento da PF, assinado pelo delegado Guilhermo de Paula Machado Catramby, solicita à Procuradoria-Geral da República que apresente denúncia contra os envolvidos.

As defesas de Rivaldo Barbosa e Giniton Lages contestam as conclusões do relatório, afirmando que não houve interferência nas investigações e que o tempo provará a inocência dos acusados. Não houve resposta da defesa de Marco Antônio de Barros Pinto, enquanto os irmãos Brazão negam qualquer envolvimento no crime.

Com informações de O Globo

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