Caso Marielle: área prometida a Ronnie Lessa é conhecida como ‘Medelín da Milícia’ e está sob controle do tráfico

A região seria usada para estabelecer uma comunidade onde ele e um comparsa cobrariam taxas, seguindo o modelo das milícias

A área conhecida como “Medelín da Milícia”, que Ronnie Lessa receberia como pagamento pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, está atualmente sob o domínio do tráfico de drogas. Na delação em que confessou o crime, Lessa revelou que ganharia um grande terreno entre Jacarepaguá e Praça Seca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, nas proximidades do Morro da Chacrinha.

A região seria usada para estabelecer uma comunidade onde ele e seu comparsa, Edimilson Oliveira da Silva, o Macalé, cobrariam taxas, seguindo o modelo de atuação das milícias.

O local, apelidado de “Medelín” em referência à cidade colombiana, ficaria nas encostas de dois morros desocupados às margens da Estrada Comandante Luís Souto.

Em 2018, quando ocorreu o atentado, a Grande Jacarepaguá estava majoritariamente sob controle de paramilitares. No entanto, seis anos depois, a área permanece sem sinais de invasão, mas a influência dos traficantes do Comando Vermelho cresceu, deixando poucos redutos sob controle das milícias. Um desses redutos, Rio das Pedras, enfrentou uma tentativa de invasão na segunda-feira (27).

No programa Fantástico do domingo (26), foram revelados detalhes exclusivos da delação de Ronnie Lessa, a primeira vez que ele admitiu sua participação no crime de 14 de março de 2018.

Durante o depoimento de duas horas, Lessa identificou os mandantes, descreveu o pagamento que receberia e explicou o destino da arma usada no atentado.

De acordo com Lessa, a “Medelín da Milícia” seria vizinha a um haras que pertencia à família Brazão e ao antigo Hospital Colônia Curupaiti, que tratava pacientes com hanseníase e cujos terrenos foram transferidos pela União ao governo do Rio de Janeiro. Outra parte do terreno é de propriedade particular.

Investigadores da Polícia Federal realizaram uma perícia no local e relataram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não encontraram evidências concretas de projetos ou planejamentos para ocupação da área antes ou depois do crime.

No entanto, o laudo pericial confirmou a viabilidade de construção no local e apontou indícios que conferem plausibilidade à narrativa do colaborador. O relatório sugere que o terreno poderia suportar a suposta empreitada e indica a participação da família Brazão em práticas similares às descritas, evidenciando seu interesse e influência na região.

Na época do crime, o haras da família Brazão ainda estava em operação, embora atualmente a estrutura esteja abandonada. Este fato ressalta a contínua influência da família na área, mesmo com a mudança de controle territorial.

Com informações do g1

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