Caso Amarildo: seis condenados pela tortura e morte do pedreiro continuam trabalhando na Polícia Militar do Rio

Seis condenados pela morte do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza seguem trabalhando na Polícia Militar do RJ dez anos após o crime. A informação foi confirmada pela corporação. Amarildo sumiu após ser levado por PMs para ser interrogado na sede da UPP da Rocinha durante a Operação Paz Armada, que pretendia combater ao tráfico de…

Seis condenados pela morte do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza seguem trabalhando na Polícia Militar do RJ dez anos após o crime. A informação foi confirmada pela corporação.

Amarildo sumiu após ser levado por PMs para ser interrogado na sede da UPP da Rocinha durante a Operação Paz Armada, que pretendia combater ao tráfico de drogas na comunidade, em julho de 2013. A Justiça concluiu que Amarildo foi torturado até a morte. O corpo dele não foi encontrado até hoje.

Nesta quinta-feira (13), em memória de Amarildo, a ONG Rio de Paz preparou um ato na Praia de Copacabana. O movimento colocou na areia 10 manequins — um para cada ano do sumiço — e voluntários debaixo de um tecido transparente simbolizando Amarildo e milhares de outros desaparecidos do Rio de Janeiro.

Entre os agentes que seguem trabalhando na Polícia Militar, está o major Edson Raimundo dos Santos, comandante da UPP da Rocinha na época do assassinato – ele foi condenado a 13 anos e sete meses de prisão.

De acordo com a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), nenhum dos condenados está preso dez anos após o desaparecimento do corpo da vítima.

Os condenados foram para diferentes unidades do sistema prisional. Em março de 2019, quatro PMs acusados foram absolvidos pela justiça e deixaram a unidade prisional da Polícia Militar.

Meses depois, em agosto, foi a vez do Major Edson Santos, conseguir o benefício de cumprir a pena em prisão domiciliar. Na época, a juíza responsável afirmou que um dos motivos era o fato de que “o Estado tem apenas uma casa de albergue para presos e que as vagas são insuficientes”.

Em 2016, 12 policiais militares foram condenados pela morte e desaparecimento do corpo de Amarildo. Os policiais respondem por tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual.

Além dos seis condenados que seguem no quadro ativo da Polícia Militar, outros seis foram excluídos da Corporação. São eles:

  • Soldado Douglas Roberto Vital Machado;
  • Soldado Marlon Campos Reis;
  • Soldado Jorge Luiz Gonçalves Coelho;
  • Soldado Anderson César Soares Maia;
  • Soldado Wellington Tavares da Silva; e
  • Soldado Felipe Maia Queiroz Moura.

 

Seguem na corporação:

Major Edson Raimundo dos Santos

Era o comandante da UPP Rocinha desde a sua inauguração e, segundo a Justiça, “foi o mentor intelectual da tortura” contra Amarildo. Sua condenação foi de 13 anos e sete meses de prisão. De acordo com a PM, ele trabalha na Diretoria Geral de Pessoal atualmente.

Segundo a Justiça, teria partido dele a ordem para que a vítima fosse capturada e levada à base da UPP. Além disso, comandou e orientou o sumiço do corpo da vítima, ordenando aos seus subordinados que retirassem o cadáver do local e o ocultasse. O major Edson foi reintegrado à PM em fevereiro de 2021. A advogada de defesa de Edson, Tatiana Fadul, disse que não tem autorização para falar dos processos.

Tenente Luiz Felipe de Medeiros

Foi subcomandante da UPP Rocinha. Era o primeiro homem abaixo do major Edson na hierarquia da unidade e, segundo a Justiça, “não só orquestrou todo o crime junto a Edson, como participou pessoalmente da execução”. Ele foi condenado a 10 anos e sete meses de prisão.

Atualmente, trabalha no Centro de Abastecimento de Insumos de Saúde da Polícia Militar.

O advogado Saulo Salles, que representa Medeiros e outros dois condenados, entrou com um recurso especial no Superior Tribunal de Justiça. “Estamos apontando nulidades no processo, certo que acreditamos na inocência de todos”, declarou.

Soldado Jairo da Conceição Ribas

O soldado Jairo da Conceição Ribas também atuou na captura de Amarildo e na condução dele à sede da UPP. Segundo a Justiça, não atuou diretamente na tortura da vítima, mas garantiu que o crime fosse cometido vigiando o entorno do contêiner. Sua pena foi de 10 anos e quatro meses de prisão.

Ele foi expulso da Polícia Militar, mas foi reintegrado à Corporação após decisão judicial em outubro de 2021.

Soldado Fábio Brasil da Rocha da Graça

Segundo a Justiça, Fábio participou da abordagem e condução de Amarildo à sede da UPP. Enquanto a vítima era torturada, permaneceu junto aos demais policiais de confiança dos superiores na contenção da área. Também contribuiu na ocultação do corpo.

Após ser condenado a 10 anos e quatro meses de prisão, foi expulso da Polícia Militar. Apesar disso, foi reintegrado à Corporação após decisão judicial em outubro de 2021.

Rachel de Souza Peixoto

Ela exercia a função de secretária do comandante. Segundo a Justiça, ficou comprovado que ela vigiou a sede da UPP durante a tortura de Amarildo. Ela foi condenada a nove anos e quatro meses de prisão. Ela segue trabalhando na Policlínica da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Thaís Rodrigues Gusmão

Sob ordem do major Edson, Thaís desligou as luzes do Parque Ecológico, localizado ao lado da sede da UPP, com o objetivo de diminuir a visibilidade dos arredores do local do crime. Ela foi condenada a nove anos e quatro meses de prisão. Atualmente, ela trabalha na Policlínica da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Amarildo foi levado por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha e nunca mais voltou para casa. Os policiais acreditavam que Amarildo tinha informações sobre o paradeiro de traficantes.

Investigações do Ministério Público conseguiram comprovar que o ajudante de pedreiro foi levado para a base da UPP da comunidade pelos PMs.

A Justiça concluiu que Amarildo foi torturado até a morte. O corpo dele não foi encontrado até hoje. Em 2016, 13 policiais militares foram condenados por tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. Um deles, no entanto, já havia morrido quando a condenação saiu em 2016.

Com informações do G1.

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