Antes de virar o refúgio dos micos-leões-dourados e dos turistas em busca de cachoeiras instagramáveis, esta cidade atendia pelo nome de prato amazônico da Casa do Saulo, o restaurante paraense do Museu do Amanhã: Indaiaçu, o que em tupi significa apenas “rio das palmeiras”. Por ali, Américo Vespúcio passou em 1502, tropeiros fizeram ponto e o tempo se encarregou de transformar engenhos e vilarejos em uma cidade que mistura história, floresta e mar.

Indaiaçu trocou de nome em 1938, quando Getúlio Vargas resolveu que um poeta romântico morto aos 21 anos merecia mais destaque do que as palmeiras locais. E não é que Casimiro José Marques de Abreu caiu direitinho no papel? Hoje, o menino das “Primaveras” dá nome à cidade, à praça e ao museu, que guarda os vestígios do tempo em que poesia ainda era coisa séria.

Mas engana-se quem pensa que Casimiro vive só de nostalgia. Entre o brilho dourado dos micos da Mata Atlântica, as praias de águas verdes e as cachoeiras dignas de filme, o município prova que ser romântico pode, sim, combinar com aventura. Dá pra tomar uma caipirinha olhando o mar, se refrescar nas águas do Tinguá e, no fim disto tudo, poetar sobre como a serra e o mar se encontraram, e decidiram nunca mais se separar.

Igreja de São João Batista faz parte do capítulo de formação da cidade | Crédito: Reprodução

História

Antes de se chamar Casimiro de Abreu, o município era conhecido como Indaiaçu, nome de origem tupi que significa “rio das palmeiras”, em referência às palmeiras-indaiás que eram abundantes na região.

A nossa “Casimiro” foi um dos primeiros núcleos de colonização portuguesa na feitoria de Cabo Frio, em 1502, fundada por uma expedição comandada por Américo Vespúcio.

A região prosperou entre engenhos, pesca e agricultura, tornando-se vila em 1846 e ganhando sua primeira Câmara Municipal em 1859. A fé e o comércio consolidaram o vilarejo como um entreposto entre o mar e a serra, ponto de parada para tropeiros e navegadores que seguiam em direção ao norte fluminense.

A cidade preserva até hoje vestígios dessa trajetória, que podem ser apreciados em seus monumentos, praças e na arquitetura de seu centro histórico.

Uma prova de que natureza e humanidade podem coexistir

Casimiro de Abreu é um dos principais refúgios do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), espécie endêmica da Mata Atlântica e símbolo nacional da conservação ambiental. 

O município abriga boa parte das reservas onde vivem as últimas populações selvagens desse primata dourado, que chegou a beirar a extinção nas décadas de 1970 e 1980.

Desde 1992 a cidade é a base da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), uma ONG que atua na proteção, reintrodução de micos nascidos em cativeiro e na educação ambiental de comunidades locais.

Casimiro concentra fragmentos contínuos de floresta nativa, especialmente nas áreas do Corredor Ecológico União, entre Casimiro de Abreu, Silva Jardim e Rio Bonito.

Hoje, estima-se que mais de 2.500 indivíduos vivam em liberdade, nas redondezas da Reserva Biológica Poço das Antas, considerada o berço da recuperação da espécie.

Por que dizem que aqui as belezas da serra e do mar se encontram no mesmo lugar?

A posição geográfica da cidade proporciona paisagens deslumbrantes que combinam montanhas verdes com praias de águas tranquilas, criando um cenário único que atrai turistas em busca de contato com a natureza.

Essa fusão entre serra e mar é um dos maiores atrativos turísticos de Casimiro de Abreu, oferecendo aos visitantes uma experiência completa de lazer.

 Dá para passar a manhã lagarteando ao sol e tomando caipirinha em um dos quiosques da Praia Grande, que como o próprio nome diz, é uma faixa de areia de quatro quilômetros debruçada sobre o mar de águas verdes, almoçar um peixinho na região, e terminar o dia em um banho nas águas geladinhas da Cachoeira do Tinguá, com suas piscinas de águas cristalinas e rodeada de vegetação exuberante.

Como o poeta entra nessa história?

A mudança oficial de Indaiaçu para Casimiro de Abreu foi oficializada em 1938, durante o governo de Getúlio Vargas, por meio do Decreto-Lei nº 392-A, de 31 de dezembro de 1938. A alteração foi feita em homenagem ao poeta Casimiro José Marques de Abreu (1839–1860), nascido em Barra de São João, um distrito do município.

A ideia de trocar o nome surgiu como uma forma de valorizar o patrimônio cultural e literário da região, fortalecendo a identidade local com a figura do poeta romântico, símbolo da saudade e da infância brasileira.

Desde então, o antigo Indaiaçu passou a se chamar Casimiro de Abreu, mantendo Barra de São João como um de seus distritos históricos mais importantes.

Quem foi Casimiro de Abreu?

Essa vai pra quem faltou a aula de literatura na escola. Casimiro de Abreu foi um dos principais representantes do Romantismo no Brasil. Ele ficou conhecido por poesias que expressavam sentimentos de saudade e nostalgia, especialmente voltadas para a infância e a vida no interior.

Sua obra mais famosa, “As Primaveras”, é um marco da literatura brasileira e reflete a sensibilidade romântica da época.

Casimiro de Abreu morreu com apenas 21 anos, mas deixou um legado literário significativo. Sua obra influenciou gerações de escritores e continua sendo estudada e apreciada até hoje. A cidade que leva seu nome busca preservar e divulgar sua memória, mantendo viva a chama de sua poesia.

Casimiro de Abreu: poeta deixou legado significativo | Crédito: Reprodução / Café com Poemas

Como é o centro histórico de Casimiro de Abreu?

Passear pelo Centro Histórico de Casimiro de Abreu é como folhear um livro de história ao ar livre, onde cada esquina conta um capítulo da formação da cidade. Com ruas estreitas, casarões coloniais e praças arborizadas, ela preserva características da arquitetura do período imperial brasileiro.

 A Praça das Primaveras, por exemplo, é um ponto central onde se destacam a Igreja de São João Batista e o Museu Casa de Casimiro de Abreu, além de ser um local de encontro para moradores e visitantes.

O que é o Museu Casa de Casimiro de Abreu?

Inaugurado em 2002, na Praça das Primaveras, em Barra de São João, o espaço preserva a casa onde o poeta passou sua infância, oferecendo aos visitantes uma imersão na vida e obra de Casimiro de Abreu.

O acervo do museu inclui móveis originais da época, edições raras de seus livros, documentos históricos e exposições temporárias que abordam diferentes aspectos da cultura e história locais.

Além de ser um ponto turístico importante, o museu também desempenha um papel educacional, promovendo atividades culturais e literárias que incentivam o interesse pela literatura brasileira.

Museu promove atividades culturais e literárias em Casimiro de Abreu | Crédito: Reprodução / TripAdvisor

O que é a Trilha do Morro do Sapo?

A Trilha do Morro do Sapo é uma das mais bacanas opções de ecoturismo em Casimiro de Abreu, localizada na região da Serra do Mar.

A trilha oferece aos aventureiros uma caminhada desafiadora através da vegetação nativa, proporcionando vistas panorâmicas da região e a oportunidade de vivenciar a biodiversidade local.

A atividade é indicada para quem busca contato direto com a natureza e aprecia desafios ao ar livre. É recomendável que os participantes estejam preparados fisicamente e utilizem equipamentos adequados para garantir a segurança durante o percurso.

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading