Caminhão pega fogo em distrito de Corumbá, no MS, e incêndio se alastra no Pantanal por área maior que Distrito Federal

No distrito de Nhecolândia, um caminhão pegou fogo após atolar em uma área de lama e vegetação seca e as chamas se espalharam pela vegetação, invadindo fazendas e queimando área de cerca de 80 mil hectares

Incêndios de grandes proporções estão se alastrando pelo Pantanal sul-mato-grossense, desde Aquidauana (MS) até a fronteira com a Bolívia.

Em uma das áreas mais afetadas, no distrito de Nhecolândia, em Corumbá (MS), um caminhão pegou fogo após atolar em uma área de lama e vegetação seca. O incidente mostra as chamas do veículo se espalhando pela vegetação, invadindo fazendas e queimando cerca de 80 mil hectares (uma área maior que o Distrito Federal), conforme informações do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul. A causa do incêndio no caminhão está sob investigação.

Entre as propriedades atingidas pelo fogo estão um santuário de onças-pintadas e a Estância Caiman, na Reserva Natural Santa Sofia. Fazendas como Paraíso, Tupaceretã e Porto do Ciríaco, na região de Nhecolândia, também foram afetadas. A ONG SOS Pantanal relatou que, após uma frente fria breve, a alta temperatura reacendeu focos de incêndio previamente extintos e trouxe novos.

Leonardo Gomes, diretor-executivo da SOS Pantanal, afirmou que desde o incidente com o caminhão, a organização tem operado em nove frentes, com o fogo atingindo sete fazendas na Nhecolândia e continuando a se propagar sem controle em algumas áreas. A ONG ressaltou que a temporada de seca ainda não chegou ao auge, e a situação crítica pode perdurar nos próximos meses, com o pico das queimadas tradicionalmente ocorrendo em setembro. Em 2024, no entanto, a temporada de incêndios começou mais cedo.

Na área mais crítica da Nhecolândia, onde há uma concentração maior de pessoal e maquinário, o acesso às áreas em chamas é o principal desafio, segundo Gustavo Figueiroa, biólogo e porta-voz da SOS Pantanal. Ele relatou que o fogo está se espalhando rapidamente, e mesmo com várias equipes em campo, é difícil controlar todas as frentes devido ao calor e à logística complicada para acessar as áreas afetadas.

A integração de combate aos incêndios envolve o PrevFogo do Ibama, Exército, Corpo de Bombeiros Militar (de MS, GO e PR), brigadas voluntárias, ONGs e moradores locais. Maquinários abrem aceiros para tentar bloquear as chamas, aeronaves despejam água e veículos terrestres e embarcações transportam grupos para a linha de frente.

De janeiro até esta quinta-feira (1º), o Pantanal registrou 4.997 focos de calor, um aumento de 1.593% em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo o programa BDQueimadas do Inpe. Este é o maior índice desde o início da série histórica do sistema, em 1998. A quantidade de focos já supera a de 2020, ano recorde de destruição, quando 30% do bioma foi consumido pelas chamas.

De acordo com o relatório do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), até 28 de julho, a área queimada em 2024 está entre 635.005 hectares e 907.150 hectares (cerca de 4,2% a 6,01% do Pantanal). Na última quarta-feira (31), o presidente Lula (PT) sobrevoou as áreas atingidas por incêndios na região de Corumbá (MS), que concentra dois terços do total do fogo registrado este ano no Pantanal. Durante a visita, Lula sancionou a lei que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, com ações que podem guiar a prevenção a incêndios no país.

A visita do presidente foi acompanhada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que destacou a força-tarefa para combater os incêndios e ressaltou que a maioria dos focos é causada por ação humana. Ela fez um apelo para que se evite o uso de fogo, alertando que sem isso não há quantidade de pessoas e equipamentos que consiga conter os incêndios.

Em resposta à nova onda de fogo no Pantanal, a ONG WWF-Brasil ressaltou que desde abril especialistas alertavam sobre a possibilidade de uma das piores secas na região, que já enfrentava estiagem mesmo durante a temporada de cheias. A analista de conservação do WWF-Brasil, Cyntia Santos, afirmou que as queimadas no Pantanal afetam não só a biodiversidade e a população local, mas também representam uma perda significativa para o país e o mundo, destacando a necessidade de ações efetivas.

Em junho, a Folha esteve em Corumbá, onde a cidade, cercada de fogo e fumaça, se preparava para as festas juninas. Um vídeo da celebração do Arraial do Banho de São João com labaredas queimando a vegetação ao fundo viralizou na época.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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