Em meio aos megablocos lotados e ao aumento da preocupação com furtos, foliões do Rio de Janeiro têm puxado uma nova tendência neste Carnaval: trocar o celular por câmeras digitais compactas para registrar a festa. O movimento, que ganhou força nas ruas cariocas, também se espalhou por cidades como São Paulo e Recife, onde o acessório virou item comum entre jovens que querem curtir a folia com mais tranquilidade.
Além da segurança, os equipamentos que marcaram os anos 2000 conquistaram espaço pelo visual. O flash estourado e as imagens com aparência menos nítida passaram a ser valorizados como parte de uma estética retrô que combina com fantasias, glitter e registros espontâneos.
No Rio, onde multidões ocupam bairros tradicionais e o fluxo intenso exige atenção redobrada, a estratégia de deixar o smartphone em casa ou bem protegido tem sido vista como essencial para aproveitar os blocos sem preocupação.
Segurança impulsiona mudança de comportamento entre foliões
A universitária Maria Luiza Lemos, de 20 anos, optou por levar uma câmera antiga para um bloco na zona sul carioca e guardar o celular. Segundo ela, o valor mais baixo do equipamento trouxe mais tranquilidade para circular no meio da multidão.
A cena tem se repetido em diferentes pontos da cidade, com foliões usando doleiras por dentro da roupa, pochetes e cordinhas de segurança para proteger pertences. A medida reduz o risco de prejuízo e permite que o registro da festa continue garantido.
A presença de policiais fantasiados e operações específicas para combater furtos também reforçou a sensação de segurança. Somente nos primeiros dias de Carnaval, dezenas de aparelhos foram recuperados pelas forças de segurança no estado.
Fenômeno também ganha força em São Paulo
Na capital paulista, a tendência apareceu em blocos tradicionais e cortejos no parque Ibirapuera. Jovens passaram a usar câmeras digitais tanto como alternativa ao celular quanto como parte do visual da folia.
Para muitos, o equipamento é usado apenas para fotos, enquanto o smartphone fica guardado e é acessado apenas para comunicação. A busca por imagens com “cara de anos 2000” tem sido um dos principais atrativos.
A nostalgia também virou oportunidade de renda. Fotógrafos e ambulantes passaram a oferecer retratos instantâneos em câmeras Polaroid, vendidos em meio aos blocos por cerca de R$ 20, atraindo foliões interessados em levar uma lembrança física do Carnaval.
Recife e Olinda apostam em mobilidade e proteção dos equipamentos
No Carnaval pernambucano, marcado por multidões nas ladeiras de Olinda e no Recife Antigo, a preocupação com segurança também motivou novas escolhas. Alguns foliões apostaram em câmeras de ação presas ao pulso, que permitem gravar vídeos e tirar fotos com mais mobilidade e menor risco de queda ou furto.
A solução é vista como prática para quem quer acompanhar desfiles tradicionais e entrar na multidão sem carregar objetos de alto valor.
Estética retrô transforma forma de registrar a folia
O retorno das câmeras digitais vai além da proteção contra furtos. A qualidade considerada “imperfeita” das imagens se tornou tendência entre os jovens, que buscam registros mais naturais e diferentes das fotos feitas por smartphones.
Com isso, o Carnaval de 2026 consolida uma nova forma de documentar a festa: menos tecnologia de ponta e mais memória afetiva.
Entre o Rio de Janeiro — onde o movimento ganhou maior visibilidade —, São Paulo e Recife, a combinação de segurança, estilo e nostalgia transformou um acessório do passado em protagonista da folia.






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