Menos de três semanas após retornar oficialmente ao cargo de prefeito de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio, Rubem Vieira — o Doutor Rubão (Podemos) — se vê diante de um processo de cassação de mandato. A Câmara Municipal instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar supostos desvios de R$ 60 milhões em contratos de limpeza urbana.
A denúncia que motivou a abertura da CPI foi apresentada por uma ex-servidora do município, Sueli Pereira da Costa, e foi formalizada durante a sessão legislativa da última quinta-feira (3). Segundo o documento, a Prefeitura teria realizado pagamentos milionários a uma empresa contratada para limpeza e desassoreamento de córregos, valas e canais — serviços que, de acordo com a denúncia, não teriam sido prestados.
“O requerimento é de minha autoria e teve apoio unânime dos vereadores presentes. É uma calamidade. Estamos falando de um rombo de R$ 60 milhões”, declarou o presidente da Câmara, vereador Haroldinho.
Prefeito nega irregularidades e fala em “tentativa de golpe”
Rubão, que assumiu a prefeitura em 2020, negou as acusações. Segundo ele, o contrato investigado já estava em vigor antes do início de sua atual gestão e passou por diversas renovações com aval do Tribunal de Contas.
“Esse contrato já foi aditivado dez vezes. Foi feito por pregão eletrônico, com o menor preço. Não há investigação nem superfaturamento. Isso é uma questão política”, afirmou o prefeito, que classificou o processo como “uma tentativa de tomar o poder a qualquer custo”.
Ele também criticou o presidente da Câmara: “O Haroldinho não quis disputar a eleição porque sabia que perderia. Agora tenta voltar ao comando do município por meio de manobras políticas”, declarou Rubão.
Instabilidade política em série
A crise atual é mais um capítulo da instabilidade que marca a política de Itaguaí neste ano. Haroldinho foi prefeito interino durante quase todo o primeiro semestre de 2025, após a Justiça Eleitoral impedir a posse de Rubão sob a alegação de que ele estaria assumindo um terceiro mandato consecutivo — o que é vedado pela Constituição.
Em junho, uma decisão liminar do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitiu o retorno de Rubão ao cargo. A posse, no entanto, foi conturbada: sem energia elétrica na sede da Câmara e com os funcionários liberados, ele teve de ser diplomado no cartório eleitoral.
Caso o processo de cassação seja concluído e Rubão perca o mandato, quem assumirá a prefeitura é o vice-prefeito Fernando Júnior (Republicanos), o Júnior do Sítio — que se tornaria o terceiro chefe do Executivo municipal em 2025.
Câmara nega manobra
Haroldinho rechaça as acusações de tentativa de golpe e afirma que o processo segue o devido rito legal.
“A denúncia é contra o prefeito, não contra a chapa. Se houver cassação, quem assume é o vice. Não há benefício direto a nenhum vereador. A Câmara está apenas cumprindo seu papel de fiscalização”, afirmou.





